Vingadores: Guerra Infinita | Crítica

O Geekable conferiu o filme em uma sessão especial pela Disney.

Vingadores: Guerra Infinita, a mais nova produção dos Estúdios Marvel, chega para completar um ciclo que durou uma década, iniciado em 2008 com Homem de Ferro, estrelado por Robert Downey Jr. O perigoso Thanos finalmente tem seu embate com os Heróis Mais Poderosos da Terra, depois de estrear na cena pós-créditos de Os Vingadores, em 2012, e aparecer pontualmente em outras duas produções do estúdio.

O aguardado filme, dirigido pelos Irmãos Russo, que também são responsáveis por uma das melhores produções do estúdio – Capitão América: Soldado Invernal -, traz uma aventura sombria, com toques de desespero e, pasme ou não, o característico humor dos longas da Marvel. A grande questão tratada em Vingadores: Guerra Infinita é o equilíbrio, palavra que define muito bem tanto os objetivos do vilão Thanos quanto o tom do filme.

Guerra Infinita funciona bem, muito bem por sinal! O longa pode ser definido como um amálgama, onde é uma conclusão, um recomeço, uma sequência de Vingadores: Era de Ultron e Os Vingadores e uma continuação direta de Capitão América: Guerra Civil, Pantera Negra e Thor: Ragnarok, isso só para começar. E é esse clima de diferentes filmes se conectando que dita o ritmo da história, trazendo ligações importantes, que por sua vez fazem com que o terceiro filme d’Os Vingadores realmente passe a sensação de que “tudo está conectado”. A distribuição de núcleos de personagens, a forma como estes foram posicionados em seus próprios filmes solo e a maneira como foram conduzidos durante Guerra Infinita demonstra parte da eficácia de um planejamento pensado nos mínimos detalhes durante uma década.

Nomes de peso, gerações de atores fenomenais se encontrando e interagindo entre si, personagens que o público amava, outros que desconhece e alguns que aprendeu a amar, todos colocados no filme como peças em um grande tabuleiro. Qual a chance de funcionar em 2h30m de filme?

No que depende de nomes como Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Tom Holland, Chris Pratt, Zoe Saldana, Karen Gillan e Josh Brolin, a chance de dar certo beirava os 100%. O que realmente surpreende é o quanto deu certo, dada as proporções da ambição por trás dos planos de Kevin Feige e da Marvel.

“Alegrem-se! Vocês estão prestes a conhecer a misericórdia de Thanos!” – de fato, o filme em si é diversão certa. Contudo, é preciso ter muito cuidado com a palavra diversão, principalmente quando a trama do filme envolve um déspota com um complexo de Deus prestes a aniquilar metade do universo. Certamente, espera-se que o estúdio de fato terá misericórdia com o público mais jovem. Entretanto, esse não é o caso. Vingadores: Guerra Infinita é um verdadeiro show de horrores para os desavisados, com a imprevisibilidade, a sensação de urgência e desespero e o clima tenso, que nem mesmo boa parte das piadas não é capaz de aliviar, pelo menos não por tempo suficiente – O QUE É ÓTIMO – e reflete o equilíbrio já citado, algo presente na trama em infinitos aspectos.

No que diz respeito às atuações, não espere algo muito diferente do que você já viu. É notável o amadurecimento de certos personagens, mas a essência ainda está lá. O Senhor das Estrelas ainda é uma espécie de Han Solo da Marvel, Rocket é um maníaco por armas, o Capitão América é um homem incorruptível e a Viúva Negra ainda age mais do que fala.

O grande destaque vai para personagens como o Homem-Aranha, que mostra uma evolução considerável na questão “responsabilidade”, se comparado com sua encarnação em De Volta ao Lar, Doutor Estranho, que se mostra como um verdadeiro Mago Supremo e Feiticeira Escarlate, que assume os holofotes e tem seus próprios momentos.

Porém, é impossível não falar de Thanos. O vilão se mostra extremamente competente, e interpretado por Josh Brolin, se torna um show à parte. O Titã Louco é representado como um personagem muito mais humano, cruel, inconcebível e poderoso do que jamais visto. Se nos quadrinhos foi retratado como um deus insano, no cinema Thanos é um estrategista de primeira, cujas ações chegam, em certos momentos, a causar um sentimento de repulsa, não necessariamente a ele, mas às situações.

Seus generais também possuem seus momentos. Fauce de Ébano é, sem dúvida alguma, um dos melhores personagens do filme. Cada cena com o vilão é arrepiante e a escala do seu poder beira o absurdo. É difícil conseguir descrever como esses seres tão poderosos podem existir, algo que reflete bem as revistas nas quais o longa foi baseado, a minissérie Desafio Infinito (Infinity Gauntlet, no inglês).

A trilha sonora de Alan Silvestri, que também compôs Os Vingadores, traz uma sensação de nostalgia e embala cada momento da maneira correta, sem exageros, sem ficar devendo. Impulsiona as emoções sentidas a cada frame e cumpre seu papel.

A trilha sonora é memorável? É uma pergunta difícil de responder – eu diria que não, mas quem não lembra do tema dos Vingadores?

Os efeitos visuais de Vingadores: Guerra Infinita não decepcionam. Thanos e seus lacaios são críveis, são monstruosos, mas também humanos. Ainda que você saiba que eles não estão lá de verdade, o filme te faz acreditar que tudo aquilo é real, e que cada ação possui uma consequência a ser sentida – algo que os Irmãos Russo fazem muito bem desde O Soldado Invernal. Um grande destaque vai para um momento onde Thanos precisa recuperar uma das Jóias do Infinito, e a câmera foca em sua expressão facial. O peso da cena, as emoções do déspota e como isso é transmitido para o espectador não torna o Titã apenas um vilão incrível, mas também um marco em toda a história dos filmes de super-heróis, se é que podemos usar esse termo.

Por fim, Vingadores: Guerra Infinita possui um ritmo de roteiro relativamente previsível, sem deixar de surpreender com as reviravoltas da trama e participações dos personagens. É claro que o espectador que não acompanhou a trajetória do estúdio deverá pensar que Capitão América e os Vingadores possuem participações limitadas e superficiais, mas essa aposta é justamente um dos maiores acertos do filme. A Marvel produziu um longa poderoso, mas que possui fundações em TODOS os filmes já apresentados para se mostrar como um trabalho realmente completo, e exige do espectador algumas memórias que datam de 2011; não é para qualquer um.

E mesmo assim, diverte como um filme isolado.

Medo, tristeza, alegria, êxtase, ódio e paixão – se o cinema é capaz de trazer à tona todos esses sentimentos no espectador, então Guerra Infinita se mostra definitivamente capaz de fazê-lo, concluindo sua missão com maestria.

O equilíbrio, contudo, não dura até o final, quando o clímax assume um tom definitivo, que dura até o momento de as luzes se acenderem e de deixar a sala do cinema. Seja qual for o seu sentimento nesse momento, é certo que ele durará até 2019, quando a sequência chegar aos cinemas e colocar um fim definitivo naquilo que acompanhamos até aqui, além de dar seguimento aos recomeços já apresentados em Vingadores: Guerra Infinita.

O 3D não é uma das melhores opções. O IMAX é visualmente fantástico, mas o 3D convencional entrega cenas escuras e que podem causar confusão em ambientes já escuros, algo similar ao problema de Batman vs Superman (2016) e seus filtros exageradamente sombrios.

Portanto, se puder, opte por cópias em 2D ou IMAX.

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Sinopse de Vingadores: Guerra Infinita

Em uma jornada cinematográfica sem precedentes, “Vingadores: Guerra
Infinita”, da Marvel Studios, leva às telas o maior e mais mortal confronto
de todos os tempos. Os Vingadores e seus aliados devem se dispor a
sacrificar tudo em uma tentativa de derrotar o poderoso Thanos antes que seu
ataque de devastação e ruína dê um fim ao universo.

Dirigido por Joe e Anthony Russo, Vingadores: Guerra Infinita é estrelado por Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Robert Downey Jr. (Tony Stark/Homem de Ferro), Scarlett Johansson (Natasha Romanoff/Viúva Negra), Chris Hemsworth (Thor), Mark Ruffalo (Bruce Banner/Hulk), Jeremy Renner (Clint Barton/Gavião Arqueiro), Sebastian Stan (Bucky Barnes/Soldado Invernal), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate), Paul Rudd (Scott Lang/Homem-Formiga), Paul Bettany (Visão) Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha), Benedict Cumberbatch (Stephen Strange/Doutor Estranho), Chadwick Boseman (T’Challa/Pantera Negra), Chris Pratt (Peter Quill/Senhor das Estrelas), Zoe Saldana (Gamora), Dave Bautista (Drax), Vin Diesel (Groot), Bradley Cooper (Rocket Raccoon), Karen Gillan (Nebula), Pom Klementieff (Mantis), Josh Brolin (Thanos) e muito mais.

James Gunn, de Guardiões da Galáxia, escreveu os diálogos do Senhor das Estrelas, Rocket Raccoon, Drax, Gamora, Nebula, Groot e cia.

Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War) está em cartaz nos cinemas.

Você pode comprar ingressos aqui.