O ano era 2006 e eu estava na segunda série. Como alguém que sempre gostou de ciência, sabia de cor o nome de todos os planetas e adorava ficar repetindo: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão.
No dia 24 de agosto, algo inusitado aconteceu: não poderia mais incluir Plutão na minha “listinha” de planetas e a razão dada pela minha professora era simples e direta: ele era pequeno demais.

Apesar de realmente tudo depender de tamanho, não era assim tão simples.
O lance é que, quando se trata de planetas, evoluímos nosso critério de classificação ao longo dos anos. Na antiguidade, planeta era qualquer estrela que não seguisse a trajetória das estrelas fixas. Depois, com o heliocentrismo, para ser planeta, bastava orbitar o Sol. Pouco depois, devia ter um tamanho relevante. E assim foi, sempre afunilando cada vez mais. Então, entra Plutão.
Plutão foi descoberto em 1930, por Clyde Tombaugh, como um planeta que teria o mesmo tamanho da Terra. Porém, na década de 70, o astrônomo Robert Harrington descobriu que Plutão, na verdade, era 5,6 vezes menor que a Terra (menor até que a nossa Lua). Isso gerou um grande furdunço no meio acadêmico (não tão grande quanto os do Youtube, hoje, claro) pois, de uma lado, alguns astrônomos defendiam que o planeta devia ser rebaixado e, de outro, outros astrônomos defendiam que isso geraria dor de cabeça desnecessária. O último grupo acabou vencendo a discussão.

Terra x Plutão x Lua (Terra). Créditos a Walter Myers.

UM PEQUENO GRANDE PROBLEMA

Porém, surgiu um problema: em 2003, descobriram Ceres, um corpo celeste maior que Plutão. Além dele, outros corpos menores, porém, com tamanho semelhante, também foram descobertos.
Após altos e baixos, quase como um cabo de guerra, a União Astronômica Internacional (sim, UAI, para os mineiros de plantão) aprovou, no dia 24/08/2006, a resolução oficial, pela qual é considerado um planeta somente aqueles que respeitarem os três itens a seguir:

  1. Orbitar o Sol;
  2. Ter massa o suficiente para que a gravidade o molde num formato esférico;
  3. Ter a dimensão predominante entre os objetos de sua vizinhança.

A UAI também aprovou que corpos que respeitem os itens (1) e (2), porém, não respeitem o (3), seriam considerados “planetas anões”.
Pronto! Diante disso, quando colocamos Plutão à prova, ele passa nos itens (1) e (2), porém, não passa o (3). Para se ter uma ideia, veja abaixo a comparação das diferenças entre a Terra e Plutão e seus respectivos satélites.

Terra x Lua e Plutão x Caronte

Mas ele não está sozinho nessa. Além dele, outros 4 corpos foram reclassificados como planetas anões: Ceres, Haumea (que tem formato oval), Makemake e Eris (ordem de distância a partir do Sol).

Parece que foi ontem que o pobre Plutão era rebaixado, e o mais engraçado disso é: ele teve toda essa carreira meteórica (descoberto, classificado e rebaixado) em 76 anos. Não foi o suficiente nem para dar uma volta completa ao redor do Sol (para ele, 1 ano é igual 248 anos da Terra).
“Eu sou um m****, meu irmão”

Espero que tenha ficado claro. Qualquer dúvida, pode mandar nos comentários.
Fontes: