Interestelar teve um sucesso inegável. Seja pela incrível história, seja pelos argumentos científicos que moldaram os seus acontecimentos ou pela incrível trilha sonora. O filme obteve mais de 600 milhões de dólares e gerou intermináveis discussões na internet, graças à sua ciência dificílima de entender.
Na obra lançada em 2014, Christopher Nolan conseguiu unir ciência de verdade (aquela que geralmente chamamos de “estraga prazeres”) com drama familiar e nos entregou uma história completamente envolvente e repleta de aventura espacial (sou meio suspeito para falar, já que acabou virando um dos meus filmes de “ficção” científica preferidos).
Porém, o que poucos sabem é que o desenvolvimento desse filme começa lá em 2006, que , por ele, passam nomes como Spielberg e Paramount e que um dos personagens mais queridos era uma marionete. Veja, a seguir, mais algumas das curiosidades que rolaram por trás dos bastidores de Interestelar:
1. Para que o filme tivesse o maior nível possível de credibilidade científica, Nolan recorreu ao astrofísico Kip Thorne, especialista nas leis de Einstein, que acabou se tornando o consultor científico e produtor executivo do filme. Sua ajuda foi tanta, que ele elaborou os cálculos para que fosse possível a existência do buraco negro Gargantua e de todo o sistema de planetas que o circunda. Além disso, ele entregou todos os cálculos necessários ao time artístico do filme, para que eles produzissem o CGI dos corpos celestes. Thorne diz, no documentário A Ciência de Interestelar, que o trabalho dos artistas foi tão bem feito, que ele próprio ficou estupefato com as representações do buraco negro e do buraco de minhoca (em três dimensões) que seriam utilizadas no filme. Ao todo, foram renderizados mais de 800 terabytes de efeitos especiais.

Buraco Negro Gargantua
Buraco Negro Gargantua

O Buraco de Minhoca
O Buraco de Minhoca

 
2. Interestelar seria, primeiramente, lançado pela Paramount, tendo Steven Spielberg na direção, porém, ele preferiu focar em outros projetos. Após sua saída, em 2012, o já roteirista do filme, Jonathan Nolan, sugeriu o projeto ao irmão, Christopher Nolan, que o aceitou. Quando já foi confirmado como diretor, a Warner Bros. quis ter participação no projeto (já que lançara os últimos sucessos de Nolan). Em negociação, a Warner ganhou o direito de distribuição internacional e a Paramount ganhou o direito de co-financiar as sequências de Sexta-Feira 13 (2009) e South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes (1998).
 
3. A inspiração para a personalidade de um dos melhores personagens, TARS, e seu colega robótico, CASE, veio de um dos maiores clássicos do mundo nerd: O Guia do Mochileiro das Galáxias. No livro, a empresa Sirius Cybernetics Corporation cria robôs com personalidades e emoções (foi essa mesma empresa que criou o incível Marvin – O Androide Paranoide).
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Porém, diferente de Marvin, TARS e CASE são bem humorados e sarcásticos, sendo o alívio cômico do filme.
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4. Ainda sobre os robôs TARS e CASE, algo surpreendente é que, diferente do que muitos pensam, na maioria das cenas, eles eram marionetes controladas pelo ator Bill Irwin, que, no caso do TARS, também foi o dublador (o dublador do CASE foi Josh Stewart).
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5. As tempestades de areia que assolam o mundo e ameaçam as colheitas foram inspiradas no Dust Bowl, um dos maiores desastres ecológicos causados por ações humanas, que provocou uma série de tempestades de areia em boa parte do território americano, ao longo da década de 30, causando um enorme efeito colateral à saúde, à economia e à própria natureza. Isso ocorreu devido ao maltrato do solo, reflexo do desespero causado pela grande depressão (algo que vem da Crise de 29). Para se ter uma noção, o próprio Nolan ficou impressionado pois, como disse em A Ciência de Interestelar, as imagens que encontrou são muito mais extraordinárias que um filme de ficção científica e, para representá-las no filme, foi preciso atenuá-las.
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O Dust Bowl da década de 30 (esq.) e uma cena de Interestelar (dir.).

Infelizmente, nos últimos anos os EUA têm, novamente, enfrentado uma série de tempestades de areia devido às mesmas causas que o Dust Bowl. Mas hoje é ainda pior, pois a poeira é muito mais “poluída” do que era nos anos 30, sendo muito mais nociva.
Como visto, assim como todo belo filme de ficção, Interestelar apresenta um futuro distópico, mas sempre fazendo uma crítica à realidade do mundo, no tempo em que ele é lançado.
Escrevam nos comentários qual é a sua curiosidade favorita sobre o filme que eu não citei, se eu falei alguma besteira (que não seria a primeira e, tampouco, a última) ou se você está pronto para se juntar à colônia de escravos do TARS.
Para mais informações, segue o documentário A Ciência de Interestelar, citado em alguns momentos: