Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas | Crítica

A versão cômica dos Jovens Titãs em um filme sobre merecer um filme.

Em 2013, o Cartoon Network decidiu trazer de volta o “antigo” desenho de Os Jovens Titãs, da DC, através de uma releitura mais infantil. Surgia assim Os Jovens Titãs em Ação!, dividindo o público e recebendo tanto críticas quanto elogios. Eis que agora, em pleno 2018, a série recebeu seu próprio longa para os cinemas.

Claramente inspirado em sua versão anterior, que por sua vez foi baseado na HQ dos anos 60, a série animada é uma grande sátira aos super-heróis, trazendo situações cômicas e por vezes bobas, mas também referências a cultura pop, participações especiais e afins. Com o filme não é diferente.

Podemos considerar o longa de Os Jovens Titãs em Ação! como uma versão infantil do filme de Deadpool. As referências estão lá, assim como a quebra da quarta parede, a metalinguagem e as participações especiais. E haja percepção para notar todos os detalhes.

Na trama, Robin, Ravena, Estelar, Mutano e Ciborgue querem ter o próprio filme, mas logo percebem que são considerados uma piada no mundo dos super-heróis (frase dita inclusive pelo Superman numa de suas participações, que não poupa e ainda diz que eles são bobos demais). Revoltados, eles decidem provar que são merecedores de terem o próprio filme.

A ideia central é a busca por um arqui-inimigo, que, na lógica deles, é o que gera um filme a um herói. No caso, eles escolhem o Slade (confundido com o Deadpool) após um encontro, porém a trama vai muito além disso. Pequenos arcos, cenas variadas, tudo vale na aventura nas telonas, que sequer se leva a sério e isso só melhora o resultado.

Embora seja um filme dos Jovens Titãs, Robin é o que mais recebe destaque. Isso ironiza a própria trama ao longo do desenvolvimento. Proposital ou apenas a busca por um personagem de destaque? A todo momento ele quer um filme próprio, e até consegue indiretamente.

Como dito anteriormente, as referências estão presentes no longa assim como é no desenho. Por parte dos super-heróis, há nítidas referências à Marvel (incluindo uma surpresa) e a própria DC. Há também menções à histórias em quadrinhos, desenhos animados, séries, filmes, etc, seja pela obra citada diretamente, seja através de algum personagem, seja por paródia. E não se restringem apenas a produções da Warner.

Essa liberdade de referências enriquece também a já citada metalinguagem. É um filme sobre a busca por merecer um filme. Logo na primeira parte do longa já vemos os Jovens Titãs no cinema presenciando trailers numa situação hilária. Tudo na trama ocorre ao redor de filmes. Toda a aventura se dá porque eles querem o seu próprio filme.

Por fim, o longa carrega o clima do desenho, assim como seus defeitos e qualidades. É como um longo episódio ou uma coletânea linear. Tem seus momentos de ação, de drama, de aventura, mas o foco mesmo é na comédia. Ainda há algumas cenas musicais com canções que ficam na mente durante aquele momento. E repetindo: O resultado ainda é um filme infantil feito para os fãs do desenho infantil. Boa diversão.