Os Incríveis 2 | Crítica

A família Pêra está de volta, e continua incrível!

Há 14 anos um filme de uma família de super-heróis nos surpreendia com tanta qualidade e diversão que rapidamente conquistou uma legião de fãs. Os Incríveis (2004) foi a sexta grande animação da Disney-Pixar, a qual estreou com Toy Story em 1995, que até então obteve êxitos notáveis em suas bilheterias.

Dirigido por Brad Bird, Os Incríveis foi com certeza uma tentativa bem-sucedida de trazer heróis originais para as telas e deixou muitas pessoas com saudades e curiosas com o fim da aventura quando o Escavador surgiu destruindo tudo no estacionamento.

Quase duas décadas se passaram e Os Incríveis 2 por fim se tornou algo real e, para alívio dos fiéis fãs do filme, é um banho de nostalgia e novidades, partindo do ponto onde a primeira animação terminou, agradando e muito a quem assiste.

Ainda com a ilegalidade dos heróis, a família Pêra se vê novamente exilada e impossibilitada de usar seus poderes. Mas Winston Deavor (Bob Odenkirk), dono de uma empresa de comunicação que deseja trazer de volta os heróis a legalidade, convida os três maiores heróis já existentes: Beto Pêra/Sr. Incrível (Craig T. Nelson), Helena Pêra/Mulher-Elástica (Holly Hunter) e Lúcio/Gelado (Samuel L. Jackson), para dar início a algo semelhante a um reality show de super-heróis focado em mostrar os esforços dos mesmos para salvar pessoas dos criminosos e, talvez, mudar a opinião das autoridades.

Sendo a escolhida para dar início ao programa, a Mulher-Elástica é o destaque da nova animação. Se antes tivemos algumas cenas com ela atuando como super-heroína, fica a cargo dela trazer momentos de tirar o fôlego com cenas de ação muito bem feitas mostrando todas as suas habilidades.

Por outro lado, o Sr. Incrível, que teve o maior destaque no filme anterior enfrentando o Síndrome e suas máquinas sinistras, dessa tem de assumir sua posição de pai, o que se mostra algo não muito fácil.

Além disso, as crianças também retornam de forma irreverente tendo ainda mais destaque. Violeta (Sarah Vowell) apresenta os típicos problemas de adolescente e seu drama de ser vista por Toninho Rodrigues é mais aprofundado, o que acrescenta muito a narrativa. Flecha (Huck Milner) que teve uma das cenas de ação mais incríveis no filme anterior, fica um pouco mais resguardado dessa vez, porém isso não significa que ele não serviu para nada. O menino ligeirinho foi também essencial para muitas das decisões tomadas ao longo do filme.

Já o maior destaque vai para o bebê Zezé, que no filme anterior ficou com poucas cenas, mas cativou muitos com suas demonstrações de diversos superpoderes. Aqui o bebê sem dúvidas ficou com as cenas mais engraçadas do filme, arrancando risadas generosas do público, e tirando o sono do Sr. Incrível ao saber de seus superpoderes.

Por sua vez, Gelado tem um pouco mais de tempo em tela, isso foi o suficiente para se ter a dimensão dos seus poderes que, sem brincadeira, é impressionante.

E mais uma vez Edna Moda vem para deixar sua marca. Não é necessário falar muito da personagem, pois sua personalidade forte e inteligência é também uma fonte de risos para quem assiste.

Falando do estúdio, a grande sacada da Pixar foi encaixar os personagens em um tempo de tela perfeito. Praticamente todos os personagens têm funções importantes, até mesmo os que aparecem por pouco tempo são essenciais para que a trama siga de maneira excepcional. O vilão tem uma boa motivação e foi muito bem introduzido na estória, fazendo com que seja possível ter certa compreensão clara de seu objetivo, mas nunca deixando de torcer por nossos heróis.

Fica claro que o filme aborda o empoderamento feminino que vivemos na nossa sociedade, as personagens femininas são muito bem construídas e postas a prova mostrando suas capacidades de forma eficaz. O assunto família também é abordado sem nunca sair do contexto do filme. Apesar de uma família com superpoderes, os mesmos também enfrentam problemas que pessoas normais passam, como a falta de comunicação entre pais e filhos, o desafio de cumprir os papéis de pai e mãe, e o relacionamento de egos que, às vezes, pode existir dentro de um matrimônio.

Os Incríveis 2 é sem dúvidas um grande acerto. O filme não peca em nenhum aspecto, seja na comédia, na ação ou até mesmo no suspense. Em alguns momentos o público é marcado por risadas prazerosas e em instantes se vê tenso por conta dos acontecimentos muito bem roteirizados. O longa apresenta também um grande avanço na tecnologia de animação em 3D. É notável mudanças na aparência dos personagens, como textura da pele, expressões faciais e os fios de cabelo, destaque para Flecha que tem o penteado mais bem renderizado e maneiro de todo o filme.

Pouco se fala, mas mesmo em animações, a fotografia conta, e o novo filme não erra neste ponto. As cores mais vívidas, se comparados à animação anterior, enchem os olhos de quem assiste. Cada cor foi pensada e cada jogo de luz e sombra foi bem encaixado, entregando um show visual para a audiência.

Novamente a Disney-Pixar acerta, e não é algo que deveria surpreender quem acompanha a trajetória do estúdio, mas surpreende e encanta mesmo assim. O filme agradará a nova geração e principalmente os mais velhos que, no momento em que a primeira cena encher a telona, se sentirá uma criança vendo a família de super-heróis novamente em ação.