Quando comprei a minha edição do livro O Hobbit, li a seguinte frase na contracapa: “O mundo está dividido entre aqueles que já leram O Hobbit e O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram”. Essa frase me chamou a atenção e me fez pensar sobre a seguinte questão: Até onde vai a influência de Tolkien sobre a cultura pop e por que ele seria tão importante a ponto de ser considerado um divisor de águas?

Antes de discutir isso, vamos entender quem foi essa ilustre pessoa.

TOLKIEN

Nascido em 1882, na África do Sul, John Ronald Reuel Tolkien foi um grande filólogo e professor universitário de Oxford (um dos mais maneiros, diga-se de passagem, com direito a idas a festas fantasiado de urso polar e, até mesmo, se vestir de guerreiro anglo-saxão para perseguir o seu vizinho… com um machado nas mãos!).

Sempre teve um enorme interesse pelas línguas, o que o influenciou a desenvolver a língua que ficaria conhecida como Quenya (língua dos elfos) e suas variações. Esse seria o ponto de partida para todo o seu mundo fantástico, pano de fundo de O Senhor dos Anéis e O Hobbit. A seguir, veja o poema élfico Namärie (A Despedida), cantado por Galadriel em A Sociedade do Anel, e Tolkien pronunciando-o… EM ÉLFICO!

 

Namárie

Ai! laurië lantar lassi súrinen,
yéni únótimë ve rámar aldaron!
Yéni ve lintë yuldar avánier
mi oromardi lisse-miruvóreva
Andúnë pella, Vardo tellumar
nu luini yassen tintilar i eleni
ómaryo airetári-lírinen.

Sí man i yulma nin enquantuva?

An sí Tintallë Varda Oiolossëo
ve fanyar máryat Elentári ortanë,
ar ilyë tier undulávë lumbulë;
ar sindanóriello caita mornië
i falmalinnar imbë met, ar hísië
untúpa Calaciryo míri oialë.
Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!

Namárië! Nai hiruvalyë Valimar.
Nai elyë hiruva. Namárië!

 

 

O UNIVERSO “TOLKIENIANO”

O que valoriza tanto o trabalho de Tolkien, não é simplesmente o alto nível da escrita, ou histórias com um enredo bacana (sim, economizei propositalmente nos adjetivos). O que realmente torna Tolkien digno de ser considerado o “Pai da Fantasia” (sem mimimi, o próprio George R. R. Martin, autor da série Crônicas de Gelo e Fogo, disse isso) é o fato de ele ter criado um universo TÃO grande, TÃO rico e TÃO completo, como nenhum outro autor conseguiu.

O universo “tolkieniano” foi tão engenhosamente elaborado que muitas histórias citadas em O Senhor dos Anéis e O Hobbit são contadas e/ou melhor explicadas em O Silmarilion (inclusive a origem e nascimento de alguns personagens PRESENTES nessas obras).

Esse universo é tão forte que Senhor dos Anéis exerce influência clara sobre o RPG de mesa Dungeons & Dragons, considerado o pai dos RPGs.
Veja, na imagem a seguir, as raças de personagens jogaveis. Perceba a semelhança entre elas e as raças livres da Terra-Média (elfos, hobbits, anões e humanos) com os personagens:

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As raças jogáveis de D&D (Esq. à dir.) – Humano, halfling (nome alterado de hobbit, por problemas com direitos autorais), gnomo, meio-orc, anão, meio-elfo e elfo.


O já citado Martin fala, com orgulho, da influência que recebeu de Tolkien. Inclusive J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, assumiu ser influenciada por suas obras. Assim como C. S. Lewis, autor de Crônicas de Nárnia, que, não só foi influenciado por Tolkien, como foi um grande amigo do mesmo.

E não para por aí a lista dos autores que sofreram influência do Um Anel, tendo nomes como: Isaac Asimov, Neil Gaiman (grande Sandman!), Stephen King, e por aí vai.

EM OUTRAS MÍDIAS

As obras de Tolkien, em especial O Hobbit e O Senhor dos Anéis, foram adaptadas a outros meios, como rádio e quadrinhos, mas os mais conhecidos pelo público, sem dúvida, são os filmes.

Considerada pelos fãs como uma das melhores adaptações já feitas de uma obra literária e um dos maiores clássicos do cinema, a trilogia O Senhor dos Anéis (2001 – 2003) foi um colírio para os nossos olhos nerds, que puderam ver as encarnações de Aragorn, Gimli, Legolas, Gandalf, Frodo e Sam, os heróis desse épico, o icônico Gollum, entre outros personagens, não menos memoráveis. Além do mais, a tecnologia CGI era algo novo, uma revolução. Esse também foi um fator que agregou valor ao filme.

Já a trilogia O Hobbit (sim, apesar de ser um único livro, Peter Jackson conseguiu transformá-lo numa trilogia) não atendeu às expectativas criadas pelos fãs e, por isso, não é considerada uma adaptação tão boa, mas ainda é uma ótima sugestão para você que pretende entender um pouco melhor esse universo.

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Capas de O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel e O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, respectivamente; © Warner Bros.


Quando vemos todos esses exemplos, entendemos que a beleza e a riqueza dos detalhes, tanto naturais quanto históricos, na mitologia criada por Tolkien, foram os motivos dela ter encantado o mundo dessa forma.

Entendemos como a jornada de Sam e Frodo à Montanha da Perdição e a de Thorin e Cia. à Desolação de Smaug influenciaram toda uma geração, tanto no cinema, quanto na literatura, no teatro, no mundo dos games e até mesmo na internet (quem nunca viu um meme do “You shall not pass”?).

Lógico que não consegui falar tudo sobre ele, coisas como a sua atuação na Primeira Guerra Mundial (onde lutou na mesma batalha que Lewis e… Hitler!). Assim como as influências que recebeu, pois, assim como influenciou, ele foi influenciado. Mas isso fica para um outro post. E você, como foi influenciado pelas palavras do Grande Mestre da Fantasia? Deixe aí nos comentários! Nai anar caluva tielyanna! (que o sol brilhe sobre vocês!).