WALL-E é uma animação incrível. O longa da Pixar lançado em 2008 conquistou crítica e público, entrando para a lista dos melhores filmes do ano e recebendo diversos prêmios, dentre eles o Oscar de Melhor Animação.

A trama se passa em 2805. A Terra está abandonada devido a quantidade absurda de lixo. Os humanos foram para o espaço através da Buy n Large Corporation (BnL Corp) esperando o mundo ser limpo. Um dos encarregados é o robô WALL-E, um compactador de lixo que vive solitário, tendo apenas uma barata como amiga (ou amigo).
Os primeiros minutos do longa não possuem praticamente nada de diálogos. Acompanhamos WALL-E fazendo seu trabalho sozinho. As coisas mudam quando a robô de sonda EVE (ou EVA, na dublagem) chega a Terra para analisar a situação. Depois de alguns acontecimentos, os dois vão para o espaço em busca dos humanos.

WALL-E NOS QUADRINHOS

O texto a seguir contém spoilers da série em quadrinhos.

Não tardou para que diversos produtos fossem feitos com base no filme. Dentre eles, uma série em quadrinhos foi lançada pela Boom! Studios. A editora é famosa por criar diversos quadrinhos da Pixar, como Os Incríveis, Monstros S.A., Procurando Nemo, Toy Story, etc. A maioria de qualidade questionável, diga-se de passagem, mas todos voltados para o público infantil.

Com 8 edições (0-7) de rápida leitura, a HQ trouxe um prelúdio para o filme. A edição prelúdio (0) do prelúdio mostra WALL-E com outros robôs compactadores de lixo que começam a se estragar, deixando ele sozinho enquanto faz seu trabalho. Já na edição 1 do prelúdio, continuamos vendo WALL-E fazendo seu trabalho, agora solitário.

Com o mundo tomado pelo lixo, couberam aos robôs fazerem o trabalho de limpar tudo, mas, devido ao tempo, ao clima e a falta de reparos, muitos deles começaram a “morrer”. Um cenário quase morto, se não fosse pelas diversas propagandas audiovisuais da BnL passando aleatoriamente.

Com poucos diálogos, a HQ se resume a literalmente mostrar WALL-E fazendo seu trabalho, enquanto descobre locais e objetos que ele passa a achar interessante. É na série de HQs que vemos também como WALL-E conseguiu algumas coisas que vemos na animação, como lancheira, o pisca-pisca, entre outros, incluindo a tal barata sem nome, que se torna sua amiga (ou amigo).

Ao longo das edições WALL-E reencontra diversos amigos e começa a apresentar suas descobertas, mas todos começam a ser perseguidos e presos por um enorme robô de lixo bulinador que quer que todos apenas façam seus trabalhos, punindo quem não fizer (pelo menos foi o que deu a entender). Posteriormente ele é derrotado por um personagem que mostrarei a seguir.

Apenas em uma das últimas edições é que algo curioso acontece: Um foguete pousa na Terra e de lá sai um humano, um astronauta que ficou sete anos fora e retornou em busca de sua família, mas, ao chegar, percebeu que tudo estava abandonado.

Uma amizade entre WALL-E e o humano é formada, onde os dois partem em busca de peças para consertar o foguete. Ao fim, eles conseguem e o humano parte em busca da nave da BnL, deixando WALL-E mais uma vez solitário (ou quase, ainda tem a barata).

UMA ADAPTAÇÃO DARIA CERTO?


Como dito anteriormente, os primeiros minutos de WALL-E quase não possuem diálogo e tratam de mostrar a vida solitária do robô numa Terra devastada pelo lixo. A HQ não traz nenhuma grande novidade, mas traz elementos curiosos que poderiam ser melhor aproveitados num longa (ou talvez num média-metragem).
WALL-E 2 poderia ser uma mistura de prelúdio com um encerramento de continuação. No primeiro momento poderiam mostrar a Terra se enchendo de lixo e posteriormente sendo evacuada. Com isso, acompanharíamos o trabalho dos robôs compactadores de lixo enquanto os anos se passam, mostrando os robôs “morrendo” com o tempo e o WALL-E como protagonista sempre descobrindo coisas e explorando ambientes.

E o tal astronauta? Será que ele conseguiu chegar até a nave e reencontrar sua família? Não sabemos e talvez nunca saberemos. O filme se passa 700 anos depois da Terra ter sido considerada inabitável. O que o longa/média poderia fazer é mostrar WALL-E encontrando algo que lembrasse dele, como a nave e a foto que tiraram antes da despedida.
Após, para o encerramento, no caso de um média, acompanharíamos os humanos tentando se realocar no planeta. Já no caso de um longa, isso poderia ser melhor desenvolvido, mas não creio que haja tanto interesse assim nessa ocasião, por mais que possa surgir a curiosidade de como os humanos sobreviveriam numa Terra onde nem o ar está mais “respirável” (se é que eles sobreviveram por muito tempo).

Não estou dizendo que um prelúdio/continuação de WALL-E seja realmente necessário, mas sim que seu prelúdio em quadrinhos mostrou o potencial que a obra tem para desenvolver mais conteúdo. O próprio começo do filme deixa aquela vontade de querer ver como tudo chegou aquele ponto. É isso ou só eu mesmo que quero, o diferentão, o exclusivo, aquele que pensa em coisas que ninguém mais pensaria, o de gosto duvidoso.

Embora a Pixar já tenha dito que não se interessa por um novo longa de WALL-E, assim como de outras obras, só nos resta sonhar, afinal, se temos outros longas da Pixar que ganharam suas continuações e prelúdios, tudo é possível.