A Morte te dá Parabéns | Crítica

Um ano a mais de vida, um ano a menos de vida. Feliz aniversário.

Adolescente em crise sendo perseguida por assassino com máscara de bebê enquanto o dia se repete num loop infinito. Essa premissa resume A Morte te dá Parabéns, considerado uma mistura de Pânico com Feitiço do Tempo.
Na trama, Tree (Jessica Rothe) é uma estudante daquelas do tipo patricinha, que maltrata todos e se acha superior. O dia do seu aniversário parece normal até escurecer, quando uma festa ocorre e ela acaba sendo assassinada. Ela então acorda e o dia se repete. Novamente, no fim do dia, ela é morta e acorda como se nada tivesse acontecido, percebendo assim estar presa num ciclo sem fim.
Por ser a protagonista e a única que recebe um cuidado maior, Tree evolui com o tempo. Inicialmente ela é tão irritante, que dá vontade de mandar o assassino matá-la logo, mas depois começa a ficar mais aceitável.
Dentre os “variados” personagens da história, temos Carter (Israel Broussard), outro estudante que tenta ser simpático com Tree e posteriormente ajudá-la com seu problema. Há também o professor que Tree tem um caso, o pai de Tree, as garotas do Kappa, entre outros, como o misterioso assassino com máscara de bebê.
Ao tratar dos personagens secundários, não há um grande aprofundamento. Eles são o que são, cumprindo seus papéis específicos na trama. Alguns estão lá apenas para uma cena, outros para cenas específicas. E não há mal nisso, afinal, conseguimos entender o que cada um faz ali.
Aos moldes de um típico terror adolescente, o longa consegue unir suspense e comédia de forma eficiente, mesmo em meio aos clichês e estereótipos do gênero. É como uma repaginada no modelo que conhecemos.
Apesar de seguir sempre o mesmo padrão (Tree acorda, tudo se repete e sempre é morta de alguma forma diferente), o filme consegue se inovar. Todas as mudanças que Tree faz após cada retorno levam a uma situação diferente. É como um efeito borboleta, onde uma consequência repercute ao longo do seu dia. Sabendo que tudo irá se repetir, a protagonista aproveita para criar novos acontecimentos. Isso é bastante positivo, sem deixar o longa cair na mesmice e sempre restaurando a atenção e o interesse do público.
Dirigido por Christopher Landon, roteirista da franquia Atividade Paranormal, o longa cumpre o que promete. Embora a revelação do assassino seja óbvia, conseguem entregar algo dinâmico e gostoso de assistir, provando assim que filmes do tipo podem sim entreter de forma inteligente, sem precisar ser o “diferentão” do catálogo.
Com um título brasileiro facilmente lido como A Morte tá de Parabéns – tipo aquela série Suburra, do Netflix – o que chega a ser cômico e não deixa de estar correto de certo modo, Happy Death Day (trocadilho com Happy Birthday*) surpreende ao trazer um longa sem medo de ser como é: Excêntrico. Cenas humoradas e assustadoras se mesclam possivelmente num dos filmes mais divertidos do ano.
*Para os não manjadores de inglês, Happy Birthday equivale ao nosso Parabéns ou Feliz Aniversário. Só que birth significa nascimento, ou seja, birthday seria algo como dia do nascimento. Já death, é morte, logo death day seria dia da morte. O título original é ótimo, mas o título brasileiro também traz um bom clima.