Liga da Justiça | Crítica

O super-grupo da DC está unido!

Após vermos A Origem da Justiça, finalmente é hora de sermos apresentados a um dos maiores grupos de super-heróis de todos os tempos. Finalmente chegou a hora de Liga da Justiça estrear nos cinemas pela primeira vez.
“O mundo está de luto após a morte do Superman”. Esse é um dos motivos para Bruce Wayne (Ben Affleck) e Diana Prince (Gal Gadot) investirem de vez na formação da Liga. Mas, a principal das razões, é a chegada do Lobo da Estepe e seu exército de parademônios, buscando conquista e até mesmo vingança. Basicamente, é a trama principal de Liga da Justiça, que aproveita cada brecha para também estabelecer o universo da DC e preparar o terreno para o que ainda está por vir.
Dirigido por Zack Snyder (O Homem de Aço Batman vs Superman: A Origem da Justiça), o filme conclui a ideia da formação de um super-grupo. Após alguns filmes do vasto universo DC, Liga da Justiça é, sem dúvidas, o evento pelo qual todos esperavam, lembrando a icônica série animada dos anos 2000 em muitos aspectos.
Embora tenha presença, sabemos das dificuldades da produção e receios do estúdio para com seu universo. Após uma tragédia na família de Zack Snyder, que levou a seu afastamento, o nome escolhido para cuidar das refilmagens e pós-produção foi o de Joss Whedon (Os Vingadores). Por mais que a mudança funcione e acrescente a trama, é possível notar os elementos de cada diretor. É inegável que Snyder trabalhou em Liga do início ao fim, sua presença é sentida graças ao seu estilo de direção peculiar e já conhecido. Por sua vez, Whedon também está presente e serve para acrescentar e lapidar o filme.
Se antes estávamos acostumados com um tom mais sério e até mesmo sombrio, que estava sendo transformado aos poucos, aqui vemos uma mudança aparentemente definitiva, principalmente se compararmos o novo filme com os mais pesados e sérios, Batman vs Superman (2016), ou até mesmo O Homem de Aço (2013). Com um ar mais leve e aventuresco, similar ao de Mulher-Maravilha (Patty Jenkins, 2017), o filme trabalha muito bem a interação entre todos os personagens e sabe equilibrar o humor e drama, gerando um resultado muito satisfatório.
Estrelado por Ben Affleck (Batman), Henry Cavill (Superman), Gal Gadot (Mulher-Maravilha), Ray Fisher (Ciborgue), Jason Momoa (Aquaman) e Ezra Miller (Flash), todo o elenco funciona em seus respectivos papéis. O arco dramático de cada um é estabelecido e funciona principalmente quando unidos. Mesmo sendo um filme de equipe, cada personagem tem o seu momento de brilhar, seja em momentos mais leves e descontraídos, ou em momentos mais dramáticos, tornando assim, a interação e carisma para com os mesmos, muito mais cativante a todo momento. Diante de um elenco rico e que funciona, temos aqueles que se destacam. Ben Affleck prova mais uma vez ser um ótimo Bruce Wayne e Batman, assim como Gal Gadot, que rouba a cena em diversas vezes em seu papel de Mulher-Maravilha. Mas, e Henry Cavill, o Superman? Sem dúvidas, suas cenas são as que mais empolgam e cativam o público que anseava pelo seu retorno.
Se de um lado temos a Liga, a esperança do mundo, do outro temos a destruição. Com o desejo de reunir as Caixas Maternas e remoldar o planeta para uma causa maior, o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), é um dos elos que une todos os heróis, e acaba se encaixando como um vilão de presença e com motivações convincentes, mas que não foge do básico,  não gerando grande empatia ou surpresa para o público, que, de certa forma, já está um tanto quanto acostumado com ameças grandiloquentes em filmes de heróis. A falta de carisma, em parte se dá ao CGI que soa um tanto quanto artificial em alguns momentos, e acaba sendo um dos pontos em que o longa fica devendo. Além de apresentar um enredo deveras corrido.
Voltando para a construção da trama, como já sabemos, o grande diretor Zack Snyder não desaponta ao inserir referências e easter-eggs ao longo de seus filmes. Recorrente também em Liga da Justiça, as pontas estabelecidas surpreendem e animam os fãs, como também o público geral. O roteiro, embora não seja espetacular, funciona muito bem e sabe trabalhar ao lado das já citadas referências que enriquecem ainda mais o filme.
Acompanhando todas as cenas, temos a presença de Danny Elfman na composição da trilha sonora. Com um espírito de aventura, Elfman se destaca principalmente ao homenagear os temas clássicos de Superman e Batman, sendo deste último o mais notável e marcante ao longo do filme. Embora bem sucedida, a trilha de Danny Elfman parece ficar em débito com as composições marcantes e já estabelecidas por Hans Zimmer e Junkie XL seja em O Homem de Aço ou em Batman vs Superman: A Origem da Justiça.
Mesmo estabelecendo de vez o seu terreno, o novo filme deixa um pequeno ar de que poderia ser ainda mais. Mas, ao fim, Liga da Justiça sai com um ótimo resultado. Finalmente estamos diante de uma grande e cativante equipe, pertencente a um enorme e rico universo. Promissora, a DC se prova cada vez mais forte com a ideia de que a Esperança, com toda certeza, nunca morre.
*É importante lembrar que o novo filme contém duas cenas pós-créditos que valem a sua espera. Sem dúvidas, os fãs ficarão empolgados com o que está por vir.