Desde meados dos anos 2000, com a chegada da internet, o k-pop (pop coreano) começou a se popularizar lentamente mundo afora, através de fóruns, redes sociais e sites específicos sobre o tema.
A segunda geração de artistas surgia enquanto a tecnologia começava a avançar. Mas foi apenas na década atual, mais precisamente em 2012, que ocorreu seu maior estouro, com o hit Gangnam Style batendo recordes e chegando ao topo das paradas mundiais. Desde então, o gênero vem conquistando cada vez mais pessoas.
Como era de se esperar, não demorou para que obras diversas explorassem esse universo. Além de programas de entretenimento, reality shows e afins que as empresas criam para promover seus artistas, o gênero musical chegou a ganhar documentários e até livros sobre o assunto.
Não sei o quanto os livros lançados sobre o tema são populares lá fora, mas nenhum deles chegou ao Brasil.
Mas esperem. Conforme o K-Pop foi se popularizando, o Brasil começou a chamar a atenção, visto os diversos shows que o país recebe atualmente, apesar da crise e da falta de estrutura para eventos de grande porte.
Assim como obras saíam lá fora, nós também fomos responsáveis por algumas. Esse ano, dois livros sobre o assunto foram lançados, sendo um deles o “K-POP: Manual de Sobrevivência“, que vos trago para analisar.

K-POP: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA

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Buscando se adequar à leitura atual e ao público juvenil, o livro é “escrito de maneira simples e divertida“, como diz a própria sinopse, que complementa dizendo que o manual leva o leitor “a passear pela história, cultura, indústria de entretenimento, música e paixão da Coreia do Sul“.
De fato, a linguagem utilizada pelo manual é semelhante a da internet, sendo leve, informal e atrativa. Através de diversos capítulos, é explorado esse universo sul-coreano, indo muito além do k-pop.

AS ESCRITORAS

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Da esquerda para a direita: Natália Pak, Érica Imenes e Babi Dewet.
Crédito: SarangInGayo

O livro foi escrito por três pessoas conhecidas pelos kpoppers brasileiros mais antenados. Seguindo a ordem no livro, a primeira é Babi Dewet, apresentadora, youtuber e escritora, responsável pela trilogia Sábado à Noite e a nova Cidade da Música, além de contos para os livros da Turma da Mônica Jovem (sim, existem). Ela também apresenta o programa Ponto K-Pop na PlayTV.
A segunda é Érica Imenes, apresentadora, produtora, youtuber e editora do portal SarangInGayo, o maior e mais antigo portal de cultura coreana do Brasil. Ela é responsável pela realização de alguns dos shows de k-pop que ocorrem no país.
E a terceira é Natália Pak, criadora do SarangInGayo. Filha de imigrantes, seu site chegou a ser reconhecido pelo governo sul-coreano, ganhando diversos prêmios e títulos, chegando até mesmo a ser intitulada representante da Coreia do Sul. Ela também faz parte da diretoria da Geração de Jovens Coreanos no Brasil.
Alguns podem duvidar da qualidade, visto que todas nasceram no Brasil, mas, como podem reparar, todas estão envolvidas na área de entretenimento e cultura sul-coreana. Além disso, a Babi é escritora, a Érica tem formação em jornalismo e a Natália é descendente e teve contato direto com a cultura de lá desde sempre.
Foram meses de pesquisa para que tudo estivesse pronto. Lembro que acompanhava as novidades do livro e sempre diziam que lançariam em breve, até que finalmente lançaram a novidade (aliás, foi na Bienal do Livro). Então valeu a pena esperar? Sim, valeu.

CONTEÚDO


Como dito anteriormente, o livro vai muito além do k-pop.
Em relação ao país em si, há a história da Coreia; as guerras; como funciona o país; a divisão; etc. Por parte do mercado, há a visão geral, além do aprofundamento nos mercados de k-pop e de doramas (novelas/séries).
Já por parte do k-pop, temos a história do gênero; o processo de transformação do artista em k-idol (ídolo); relatos e crônicas das experiências nos bastidores de shows ocorridos no Brasil; entrevistas com artistas; recomendações de grupos; os grupos que passaram por aqui; os maiores grupos do gênero; etc.
Existe ainda um dicionário com os termos mais usados pelos kpoppers (não necessariamente apenas no meio k-pop, mas sim no país). Há até receita culinária!
A divisão dos temas é variada. Depois de falar sobre o país, começa a se dividir entre o k-pop e afins. Embora pareça desorganizado, não é. O resultado é agradável, variando os temas sem tornar a leitura cansativa e interligando um tema ao outro.
Minha intenção aqui não é detalhar tudo o que está no livro, afinal, o bom mesmo é ler e ir descobrindo, independentemente de conhecer ou não sobre o assunto. Acredite: Dá para se surpreender. Eu, mesmo nesses anos todos me aventurando pela onda Hallyu (termo dado a expansão da cultura sul-coreana), descobri coisas que não sabia.

PRODUTO FINAL

Salvo alguns poucos erros de digitação, o livro é bem acabado, com uma formatação dinâmica, possuindo observações e diversas imagens para ilustrar o que está sendo escrito. As imagens ocupam tamanhos variados e atraem o leitor para o conteúdo.
A quantidade de gírias utilizadas pode incomodar o público mais velho e desligado dos termos usados pelos jovens. Por ser um livro de fácil entendimento, não chega a ser algo que realmente atrapalhe a leitura, embora possa cansar.
Também há uma ótima bagagem de conteúdo apresentado ao longo das páginas, servindo como um resumo da grandiosidade que a cultura sul-coreana possui e como uma introdução para os leitores procurarem mais.
Com muitos acertos e poucos erros, K-POP: Manual de Sobrevivência é uma fonte de pesquisa válida e que introduz a esse universo que é o k-pop. E é muito bom ver o Brasil participando disso!

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Crédito: Babi Dewet (Instagram)

Leia mais: Um breve resumo sobre k-pop para geeks (ou não tão geeks).