Jumanji: Bem-Vindo à Selva | Crítica

Jumanji está de volta!

Já se passaram 22 anos desde o lançamento de Jumanji (1995), filme dirigido por Joe Johnston e estrelado por Robin Williams, Kirsten Dunst e Bradley Pierce, que, sem dúvidas, foi uma surpresa para a época ao apresentar uma trama original, cativante e divertida, onde basicamente duas crianças encontram o famoso jogo de tabuleiro intitulado Jumanji e, uma vez que iniciam o jogo, precisam sobreviver a suas aventuras e terminá-lo.
Sabendo do apelo dos fãs durante anos por uma possível continuação deste que foi, e ainda é um grande sucesso, chegou a hora de voltarmos ao universo misterioso de Jumanji de uma maneira totalmente nova. Se uma vez Jumanji veio até o mundo real através de um “simples” jogo de tabuleiro, agora o mundo real vai até Jumanji.
Em Jumanji: Bem-Vindo à Selva, vemos em uma breve cena mostrando como o antigo jogo de tabuleiro se adaptou com o tempo e simplesmente se transformou em um jogo de aventuras para videogame. Partindo disso, somos apresentados a quatro adolescentes que, ao ficarem de castigo no colégio, encontram em uma sala cheia de objetos esquecidos, um antigo videogame com um jogo, o próprio Jumanji. Decididos a se divertirem um pouco no período de castigo, o quarteto escolhe seus personagens e repentinamente são levados para dentro do jogo. Agora dentro de Jumanji, resta ao grupo completar os níveis, sobreviver ao desconhecido, salvar Jumanji e poder retornar para casa.
Inicialmente o filme conta com Alex Wolff (Spencer), Ser’Darius Blen (Fridge), Morgan Turner (Martha) e Madison Iseman (Bethany), jovens que se encaixam com tipos caricatos de adolescentes. Basicamente temos o nerd, o valentão, a patricinha e a garota tímida, elementos que não fogem dos clichés dos filmes escolares de Hollywood. No entanto, o grupo cumpre seu papel, entretendo e não decepcionando aqueles que assistem.
Porém, mesmo com o grupo jovem, o filme é completamente carregado pelas suas versões dentro de Jumanji. Spencer é o Dr. Smolder Bravestone (Dwayne Johnson), Martha se torna Ruby Roundhouse (Karen Gillan), Bethany acaba se passando pelo professor Shelly Oberon (Jack Black) e Fridge assume a forma de Moose Finbar (Kevin Hart). Um novo quarteto com rostos já conhecidos pelo público, que consegue prender a atenção, surpreender e, acima de tudo, divertir a quem assiste durante aproximadamente duas horas de filme. Além do novo grupo, somos apresentados também a Alex (Nick Jonas), um antigo jogador.
Se por um lado o filme é um acerto inegável com o grupo principal em Jumanji, a percepção se altera quando vemos um vilão sem tanto apelo e carisma, que está ali apenas para fazer a trama, e a programação do game, funcionarem. Bobby Cannavele dá vida ao ambicioso Van Pelt, um homem cego pelo poder que uma pedra preciosa de Jumanji o concedeu. Disposto a fazer de tudo para ficar com a preciosidade e continuar sob o domínio da grande selva, o vilão não possui camadas que gerem grande empatia pelo mesmo, infelizmente.
Talvez a ideia de personagens sem tanto carisma se encaixe a explicação que o roteiro dá ao universo de um videogame. Personagens que apenas seguem sua programação. Decisão essa que se mostra divertida inicialmente, mas acaba disperdiçando oportunidades de ser ainda mais ao longo do filme que, tirando os personagens secundários sem profundidade alguma, apresenta conceitos divertidos e caricatos, como número limitado de vidas, habilidades especiais, níveis de dificuldade e um temido “game over”.
Embora se encaixe como uma continuação do filme de 1995, Jumanji: Bem-Vindo à Selva dá continuidade a história, mas acaba fugindo do ambiente proporcionado pelo primeiro filme. O clima é diferente, afinal a trama também é. Aqui, vemos os jogadores da vida real fundidos aos avatares escolhidos para o game, logo as emoções e habilidades dos mesmos se contrapõem com as de seus personagens, atitude do roteiro que reforça a importância e peso que o elenco composto por The Rock, Jack Black, Kevin Hart, Karen Gillan e Nick Jonas garantem, seja com cenas de diálogo, ação ou de comédia, sendo este último um prato cheio para o público que irá rir em diversos e oportunos momentos.
Resgatando o título de sucesso de 1995, o novo filme ainda faz referências ao clássico, mostrando que, por mais que esteja apresentando algo novo, não se esqueceu de elementos que maracaram uma geração.
Dirigido por Jake Kasdan, responsável por Professora Sem Classe (2011) e alguns outros trabalhos no cinema e TV, o diretor consegue se sair bem sucedido ao divertir e entreter o público. Com bons efeitos visuais e uma bela fotografia nos planos que enaltecem a famosa selva, o filme garante mais êxito com sua trilha sonora aventuresca composta por Henry Jackman.
Em conclusão, Jumanji: Bem-Vindo à Selva, além de ter como pano de fundo lições sobre união e amizade, traz de volta o sucesso dos anos 90, apresentando este grande universo para um público mais jovem, que talvez ainda não conheça o clássico. Com um ar de aventura e comédia, o novo filme diverte e cativa, qualidades que podem render um futuro para o antigo sucesso que se renova nos cinemas.
Bem-Vindo à Jumanji, divirta-se, mas acima de tudo, sobreviva!