Inferno | Crítica

Potencial desperdiçado e mais do mesmo marcam o terceiro capítulo da franquia.

Você mataria metade da população hoje sabendo que, se não fizer nada, a humanidade se extinguirá daqui a 100 anos?“. É com essa interessante premissa que Inferno trabalha, com direção do talentoso Ron Howard, o mesmo dos longas anteriores, e roteiro do memorável David Koepp, que escreveu clássicos como Jurassic Park, Missão: Impossível, Homens de Preto, Homem-Aranha e Guerra dos Mundos.
O terceiro filme da franquia do professor Langdon repete a mesma fórmula dos filmes anteriores, entregando mais uma vez uma trama envolvendo um grande acontecimento que deve ser impedido e, para isso, o protagonista deve correr contra o tempo e adivinhar enigmas históricos que levam a outras pistas, para assim chegar onde deve. Infelizmente, apesar do grande potencial em mãos, acabou sendo de longe o filme mais fraco da franquia.
O longa é baseado no quarto livro da saga de Dan Brown, produzido com a necessidade de aproveitar o lançamento do livro, pulando assim O Símbolo Perdido, terceiro livro da saga. Atualmente o motivo foi perdido, já que o filme deveria sair em dezembro de 2015, no mesmo ano do livro, mas, para evitar concorrências com o tão esperado Episódio VII de Star Wars, decidiram adiar. Até demais.
A trama acompanha Langdon (Tom Hanks), que acorda sem memória num hospital e tendo visões do mundo pegando fogo, pessoas deformadas, tsunami de sangue, chão aberto em chamas, pessoas com máscaras, uma mulher com o rosto coberto, etc. Ao tentarem assassiná-lo, a doutora Sienna (Felicity Jones), decide salvá-lo. Juntos, eles descobrem um mapa do Inferno baseado na obra de Dante AlighieriDivina Comédia‘ e, a partir de pistas descobertas no mapa, partem para uma missão enquanto são perseguidos por agentes como a da Organização Mundial de Saúde. Dentre as pistas, eles descobrem Bertrand Zobrist (Ben Foster), um visionário falecido dias antes que queria reduzir a humanidade pela metade a fim de evitar a extinção de todos, se baseando em dados sobre superpopulação mundial para provar sua ideia. Zobrist deixou ativado antes de morrer o vírus que reduziria a humanidade. Cabe ao professor Langdon impedir a infestação desse vírus. O que se segue são sempre cenas mais do mesmo, onde a trama não parece sair do lugar, como se estivesse andando em círculos.
Todas as pistas do filme giram em torno da Divina Comédia. Infelizmente, a obra é mal explorada, servindo apenas para enigmas fracos que são facilmente resolvidos. Mesmo o longa seguindo o padrão de conteúdos históricos e desafios, aqui temos uma grave redução de conteúdo. Para compensar, são inseridos diversos momentos de visões que soam desnecessárias, flashbacks que duram mais que o necessário e romances pouco interessantes, criando assim uma grande enrolação para compensar a duração do longa e acrescentar um conteúdo onde a maior parte nada acrescenta na trama.
Mesmo para quem gostou dos filmes anteriores, Inferno pode ou não ser uma boa. Comparado ao seu grandioso predecessor, chega a ser decepcionante. Longe de ser ruim, o longa consegue sim entregar algumas ótimas cenas, como o clímax, e reviravoltas ora aceitáveis ora agradáveis, como o destino de alguns personagens, mas durante esses momentos chega a cansar. Não a fórmula, mas sim a repetição de certos acontecimentos e a falta de um avanço impactante na trama. Fora seus problemas, ainda temos uma boa diversão para os mais pacientes.
Curiosidade – “O primeiro livro da saga é Anjos e Demônios, que acabou sendo o segundo filme no cinema. O Código da Vinci, o segundo livro, foi o primeiro a ser adaptado. Em vez de Inferno, o que seria adaptado agora era O Símbolo Perdido, terceiro livro da saga.”
Com base nos acontecimentos, pode-se suspeitar que façam um quarto filme baseado no livro pulado. Resta esperar.

Inferno (Inferno, 2016)
Jornalista e apreciador da cultura geek, gosta de ver filmes, ler quadrinhos e ouvir música. É fã da cultura asiática e quer ser escritor de ficção para dominar o mundo.