Death Note: Light up the New World | Crítica

Quarto filme da franquia é a sequência que os fãs queriam para o mangá/animê.

A franquia de filmes japoneses de Death Note é algo que levanta polêmica. Parte dos fãs da série original gosta, parte não gosta e, geralmente, não existe um meio termo. Com Death Note: Light up the New World, não poderia ser diferente, ainda que o longa traga um enredo inédito.
O filme literalmente brinca com a morte. Se nos filmes anteriores e na série original Kira tinha certo cuidado ao eliminar suas vítimas, aqui ninguém está a salvo, inocente ou não. O motivo disso é um sinistro plano dos Shinigami, os deuses da morte, para “sair do tédio”. Diferente do Death Note original, desta vez, 6 cadernos são derrubados na Terra, quase que “escolhendo” seus donos.
O primeiro a receber o “presente” é um médico russo, interpretado pelo ator Sergey Kuvaev (Everesuto: Kamigami no Itadaki) que, ao perceber que seu paciente implorava pela morte, resolve utilizar o caderno, ainda que com descrença. Infelizmente, o ator é mal aproveitado e não temos mais que duas cenas com seu personagem.
Com isso, somos apresentados a Sakura, intepretada por Rina Kawaei, uma cruel assassina que possui os olhos de Shinigami. Uma das primeiras cenas do filme envolve Sakura causando uma verdadeira chacina nas ruas de Tóquio, algo que mostra como o Death Note pode ser usado de forma extremamente letal, sendo que tal letalidade nunca foi totalmente explorada.
O tom do filme traz certo suspense. As cenas iniciais de matança não definem o que está por vir e, por isso, podem decepcionar o espectador que espera ver algo tão frenético quando o início do filme. A trama é recheada de mistérios e segredos, que vão sendo revelado aos poucos e levantando cada vez mais perguntas. Um dos destaques é a presença de Kira, que foi morto no segundo filme da franquia e, mesmo assim, ainda segue como uma sombra e possui seguidores por todo o planeta. Um dos grandes mistérios de Death Note: Light up the New World é o quanto Light Yagami está envolvido nessa nova onda de assassinatos, já que um vídeo do Kira original surge na internet, alertando a população sobre o que está por vir.
O sentimento de nostalgia, gerado principalmente pela presença (ainda que curta) de personagens dos filmes anteriores é um dos pontos altos. Para o fã, é legal ver como a produção do novo longa conseguiu sustentar o fôlego da obra original em uma sequência que seria, aos olhos de muitos, desnecessária. Erika Toda retorna como Misa Amane, dessa vez como muito mais que um rostinho bonito ou uma garota obcecada por Light. Aqui, Misa é uma das peças que integram o quebra-cabeças que a Força Tarefa encarregada de deter novos Kira investiga, liderada por Mishima (Masahiro Higashide) e Ryuzaki, um detetive criado na Wammy’s House.
Masashiro brilha como Mishima, sendo um personagem que ora parece essencial para a trama, ora parece completamente deslocado – um furo de roteiro, não fosse a enorme quantidade de “furos” intencionais, que se amarram no terceiro ato.
Ryuzaki, interpretado por Sousuke Ikematsu, também é um dos protagonistas e levanta dúvidas sobre sua capacidade e intenções desde sua primeira aparição. O personagem é responsável por mover boa parte da trama e ainda rende algumas boas surpresas. É difícil pensar em Ryuzaki e não falar sobre Arma, uma ro fi que possui uma forte relação com o personagem. Arma é, sem dúvida, o personagem mais cativante de toda a franquia Death Note, seja em filmes, jogos, séries ou mangás. A naturalidade da personagem é um amálgama do CGI, bem mais desenvolvido que nos longas anteriores, da atuação impecável da atriz Miyuki Sawashiro, que dá a voz à deusa da morte e do design da personagem, que mescla o assustador aspecto dos Shinigami a uma beleza controversa.
A trama se desenvolve bem. Praticamente tudo que foi apresentado ao longo dos quatro filmes é respondido em Death Note: Light up the New World, deixando alguns pontos em aberto – para o espectador tirar suas próprias conclusões. Há alguns momentos um pouco arrastados, mas muito disso se deve à expectativa criada pelo frenesi inicial do filme, que deixa um “gostinho de quero mais” e não tem direito a bis.
A trilha sonora é boa. Compostas por Yutakata Yamada, as músicas não são memoráveis, mas fazem jus à franquia e cumprem sua proposta, embalando as sequências e não trazendo nenhum exagero, algo que costuma se fazer presente em filmes orientais.
Por fim, Death Note: Light up the New World é um filme digno do título Death Note e abre caminhos para mais sequências, ao mesmo tempo que conclui a saga dos personagens originais. A minissérie Death Note: Generations, que serve de prequel ao filme, pode responder algumas questões que ficam em aberto, mas a fica clara a intenção do estúdio de tornar possíveis quaisquer sequências que possam vir a acontecer, ainda que estas não sejam produzidas imediatamente. O filme é feito para os fãs, mas certamente é mais um daqueles filmes que ou você gosta ou você detesta.