Deadpool 2 | Crítica

Novo filme reaproveita sucesso do antecessor e trás novos horizontes para a franquia, assim como também para o universo X-Men.

Após o lançamento de Deadpool (Tim Miller, 2016) a Twentieth Century Fox percebeu que tinha em mãos um personagem totalmente rentável e flexível, o qual poderia evoluir e renovar o gênero de super-heróis como também o seu próprio universo mutante nos cinemas. Sabendo do grande sucesso, graças as primeiras e inteligentes jogadas de marketing, até o sucesso de crítica e público, chegou a hora de conferirmos a continuação desse que se tornou um fenômeno.
Deadpool 2 chegou aos cinemas rodeado de expectativas, afinal, os fãs do mercenário tagarela da Marvel se surpreenderam com o êxito do primeiro longa, e esperavam algo ainda maior na continuação desde a genial cena pós-créditos do filme de 2016 que prometia ninguém menos que Cable na continuação. Mas, será que o filme cumpre as expectativas?
A resposta dessa pergunta é pessoal, porém a qualidade do filme é indiscutível. Trazendo novamente o humor escrachado e inteligente, o novo filme consegue reinserir o espectador naquele divertido universo que não vê limites para contar uma boa história, afinal, isso só é possível graças ao personagem que, desde os quadrinhos, consegue conversar com o público através de soluções inteligentes que envolvem principalmente diversas referências e a quebra da quarta parede.
DP2 (como foi abreviado nos EUA), é dirigido por David Leitch, diretor conhecido por suas particularidades em cenas de ação na bem sucedida franquia John Wick e no recente Atômica, estrelado por Charlize Theron. Embora essas duas franquias tenham uma proposta diferente da franquia Deadpool, o diretor consegue misturar ação, humor e drama com grande êxito, mesmo que, em alguns momentos, o mesmo necessite fazer uma mistura de efeitos práticos – área que é sua especialidade – com a computação gráfica, a qual se sai bem, porém é grandemente perceptível e sem tanta expressividade em alguns momentos.
Por sua vez, o elenco está novamente impecável. Ryan Reynolds se prova mais uma vez ser o próprio Wade Wilson/Deadpool, nos entregando um personagem carismático, ácido e forte, seja pelos seus poderes ou pela sua própria personalidade imprevisível mas funcional. Ao seu lado, nomes como Morena Baccarin (Vanessa), T.J. Miller (Weasel), Karan Soni (Dopinder), Leslie Uggams (Blind Al), Brianna Hildebrand (Negasonic) e Stefan Kapicic (voz de Colossus), compõem o elenco, reprisando seus respectivos papéis com naturalidade, nos entregando ainda mais do que foi visto no primeiro filme.
Enquanto isso, também temos a apresentação de novos personagens que roubam a cena. Josh Brolin, o qual acabou de ser grandemente elogiado pelo seu papel de Thanos em Vingadores: Guerra Infinita, retorna às telonas com maestria, porém, agora como Cable, um mutante do futuro, de grande importância no universo X-Men, que volta para o passado decidido a cumprir o seu objetivo, evitando certos eventos que afetarão a vida de humanos e mutantes. Assim como Brolin, temos também a apresentação do jovem Jullian Dennison (Russel/Firefist) e Zazie Beetz (Dominó), personagens muito bem inseridos que roubam a cena e prometem ainda mais para o futuro. Com um grande e ótimo elenco, o filme ainda conta com participações especiais de atores e personagens que irão divertir e surpreender o espectador.
Embora sobrem elogios, Deadpool 2 não sai totalmente ileso após duas horas de tela. Visto o enorme sucesso de seu antecessor, o novo filme segue uma linha narrativa que busca ser algo mais grandioso, trabalhando tramas e questões que contrastam um pouco com as características caricatas do personagem principal, o que pode soar um pouco estranho, porém contribui para o andamento da trama e traz uma carga mais emocional para um personagem tão descompromissado.
O roteiro, escrito por Rhett Reese, Paul Wernick e o próprio Ryan Reynolds, embora seja muito bem trabalhado e busque alternativas mais simples para explicar questões que poderiam ser extremamente complexas, decide, em muitos momentos, continuar bebendo da fórmula do primeiro filme, nos deixando a sensação de que o longa é sim algo maior, mas que não abre mão do confortável. Isso é notável quando repetições de piadas e ações surgem em tela, deixando a seguinte questão: será que a franquia consegue se manter por mais tempo apostando apenas na fórmula que inovou o gênero da primeira vez? Tal questão, de certa forma contribui para a formação do personagem, afinal, o mesmo pode a qualquer momento se virar para a tela e se explicar para o espectador, mas mesmo assim, a questão ainda é válida em uma análise do filme como um todo.
Embora exista algumas novas versões de momentos icônicos do primeiro longa, Deadpool 2 também consegue trazer novidades para a franquia e universo X-Men. Ao contrário de diversos filmes de Hollywood, todos os trailers lançados não estragam a experiência do espectador nas salas de cinema. Aqui, há diversos detalhes da trama que não foram revelados no marketing, ou sequer foram previstos pelos fãs.
Em suma, Deadpool 2 dá continuidade a história de um mercenário sem regras apresentado em 2016. Com situações inesperadas, e outras nem tanto, o novo filme estrelado por Ryan Reynolds bebe novamente daquilo que tornou o personagem inesquecível, mas além disso, traz novas e empolgantes substâncias para seu universo, que ainda deve trilhar um longo caminho nos cinemas. Entretanto, não custa ter cautela para não se enquadrar como mais uma daquelas famosas franquias conhecidas como “mais do mesmo”.
* Vale lembrar que o novo filme contém, provavelmente, uma das melhores, mais divertidas e inesperadas, cenas pós créditos dos últimos tempos. Não perca!