Fonte de fascinação para uns e medo para outros, o Cyberpunk não é um gênero novo, mas vem caindo cada vez mais nas graças do entretenimento e não faltam exemplos para conhecer esse universo!

Mas, o que é Cyberpunk, afinal?

Antes de te dar a explicação oficial do que é Cyberpunk, quero que pense em alguns nomes que te ajudarão a se situar: Blade Runner, Akira, Ghost in the Shell, a recente Love Death + Robots do Netflix, o filme Ares, The Matrix, Elysium e muitos outros filmes, séries, games e quadrinhos por aí.

O trecho abaixo, baseado no que diz a Wikipédia, explica a origem do nome:

Cyberpunk  (combinação de cybernetic + punk) funciona como um subgênero alternatico da ficção científica (sci-fi), onde a abordagem dos personagens e do mundo ao seu redor é focada em alta tecnologia e baixa qualidade de vida, mesclando a cibernética e o punk alternativo. É normal encontrar ciência avançada, implantes tecnológicos e tecnologias disruptivas se encontrando com uma mudança radical no sistema civil ou desordem social visível. O termo foi criado em 1980, pelo escritor Bruce Bethke, para o seu conto “Cyberpunk”, que entretanto só seria publicada em novembro de 1983, em Amazing Science Fiction Stories, Volume 57, Número 4.

Josan Gonzalez é um artista especialista em criar ambientes e personagens cyberpunk.
Arte de Josan Gonzalez, que inclusive ilustrou as capas nacionais dos livros de Neuromancer.

Por que o Cyberpunk é tão interessante?

É normal que tenhamos algum tipo de fascinação e medo pelo futuro, principalmente em épocas mais conturbadas, e o Cyberpunk definitivamente brinca com o nosso imaginário a respeito do que pode ou não vir a acontecer, muitas vezes com um “pé” na realidade.

É diferente de imaginar um futuro como no desenho dos Jetsons, onde tudo é bom para todos, é mais crível e próximo do presente, ao mesmo tempo que pareça muito distante.

Problemas como a falta d’água, poucos empregos, pouca comida, a ascensão de andróides, colapsos econômicos e governamentais, popularização e proliferação de drogas são constantes em obras do gênero, e de alguma forma, retratam uma realidade que já vivemos, ainda que talvez não em um grau tão dramático.

Os visuais costumam ser desconcertantes, coloridos, cheios de neon e com muita tecnologia (Cyber). É bonito de se ver, mas ao mesmo tempo, existe um ambiente sombrio por trás, sujeira, pobreza, aquele sentimento de revolução (alô, Punk), e essa combinação torna o gênero único.

Por onde começo a me aventurar no gênero?

  • Akira;
  • Ghost in the Shell;
  • The Matrix;
  • Roujin Z;
  • Blade Runner;
  • Altered Carbon;
  • Blade Runner 2049;
  • Battle Angel Alita;
  • Dredd;
  • Jogador Nº 1;
  • Elysium;
  • Robocop.

E tem muito mais! Em um post futuro, abordarei as obras Cyberpunk por mídia (anime, cinema, videogames, quadrinhos), para que você possa se aventurar ainda mais nesse mundo!

As cores do Cyberpunk

Preto, grafite, cinza, rosa, violeta, vermelho, azul e algumas vezes um pouco de verde. Essas são cores predominantes no ambiente Cyberpunk, que podem variar de acordo com a escolha do autor para a obra em questão.

Blade Runner, de 1982, foi um Cyberpunk com uma pegada Noir, então tinha ambientes muito mais escuros e abusava de tons frios, enquanto Blade Runner 2049 traz o laranja e cores quentes à tona, mas isso também é algo que varia com o passar do filme. Temos alguns momentos com as cores clássicas de um bom ambiente distópico, principalmente na cena abaixo:

Blade Runner 2049

Explicar todo o conceito de cores de Blade Runner, a relação com o filme original e a obra que inspirou os dois longas levaria MUITO tempo, e esse não é o foco do post, então, vamos partir para outros exemplos!

O vermelho de Akira

Akira, ícone cyberpunk.
Não dá para falar de Cyberpunk sem falarmos de Akira. Que obra, meus amigos!

Akira se passa em 2019, e acompanha a história de Kaneda e Tetsuo, amigos membros de uma gangue que, além de se envolverem em conflitos com outras gangues, acabam separados, e Tetsuo se torna cobaia de experimentos do governo.

Se você já assistiu o filme “Poder Sem Limites”, com Michael B. Jordan e Danny DeHaan, pode imaginar confrontos parecidos – mas muito mais épicos e destrutivos em Akira.

O ambiente de Akira é cheio de destaques em vermelho, ruas escuras e detalhes incríveis sobre a perversão e a decadência de Neo Tokyo, que está em um ambiente cada vez mais conflituoso e beira uma verdadeira Guerra Civil. Religiosidade, ideologias políticas, sobrenatural, tecnologia e caos social se misturam nessa obra incrível.

Paleta de cores de Akira, ícone cyberpunk.

Ghost in the Shell já tem uma pegada mais azulada, com tons frios que têm tudo a ver com o ambiente da obra e os personagens. Matrix, por outro lado, usa tons esverdeados, e o branco, por exemplo, não existe.

Paleta de cores de Matrix.

A música do Cyberpunk

Uma das minhas partes favoritas das obras Cyberpunk é a música. O uso do sintetizador é constante e poderoso, e pode misturar alguns conceitos mais noir ou mesmo oitentistas, criando misturas únicas que compõem a identidade da obra em questão.

Eu criei uma playlist com alguns dos meus compositores favoritos (e mais famosos) chamada Cybernoir, e você pode ouvir abaixo:

Carpenter Brut, KI: Theory, Perturbator, Kavinsky, Gunship e Delta Heavy estão garantidos!

Nem tudo que usa sintetizador é Cyberpunk, mas é difícil ter um filme, jogo ou série com essa temática sem usar sintetizadores e músicas futuristas. Às vezes, esse conceito se mescla um pouco com o retrofuturismo, onde a tecnologia antiga ainda se mantém como um padrão atual, mas com alguns detalhes futuristas.

Um exemplo: é como ter um telefone daqueles bem antigos em uma casa onde um robô o atende por você – existe o choque dessas tecnologias, mas as coisas se misturam muito bem. Uma série que capturou muito bem essa temática é MANIAC, do Netflix.

Outras influências

Se Matrix e quase qualquer outra obra moderna do Cyberpunk bebe de fontes como Akira e Ghost in the Shell, que são obras japonesas, nada mais justo que o gênero estar cheio de referências ao Japão e à Ásia como um todo, não é mesmo?

Cyberpunk, por xsullo
Arte de xSullo

Basta olhar para uma imagem de Tokyo à noite ou buscar por imagens de Hong Kong para associar aos visuais luminosos, mas ao mesmo tempo sombrios de Blade Runner. A Terra do Sol Nascente é um sinônimo de tecnologia e avanços disruptivos e, por isso, a sua visão de futuro se espalhou por diversas obras da cultura pop, influenciando também a arquitetura moderna, arte, cultura e até mesmo servindo para promover debates a respeito do nosso futuro como civilização – principalmente por livros como Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas, de Philip K. Dick.

Como é o futuro para você?

Positiva ou negativa, a sua visão do futuro está influenciada por alguma obra literária, de cinema, um videogame ou uma animação que você viu na TV em algum momento. Estudiosos, sociólogos e artistas visionários colaboraram, muitas vezes indiretamente, para criar as imagens que temos hoje sobre as possibilidades para o futuro.

Hoje não se fala mais em carros voadores, mas sim em superpopulação, escassez de recursos, marginalização da sociedade, doenças, guerras e mais um montão de coisas ruins… Mas também existe um lado bom nisso tudo! Há quem acredite que o nosso futuro é mais environment-friendly do que se imagina, e que nossas tendências de consumo chegarão a um ponto onde preferimos compartilhar do que comprar – seja pelas condições financeiras ou pela facilidade. Querendo ou não, a geração atual já está adquirindo uma consciência nesse sentido. Agora, resta saber para que lado vamos caminhar… Para um futuro distópico ou para uma sociedade utópica de desenvolvimento uniforme.

Faça suas apostas!

Trecho retirado da Wikipédia pode ser lido na íntegra aqui.