Godzilla II: Rei dos Monstros

Finalmente o grande acerto hollywoodiano que o lagartão merecia.

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Após três tentativas, o mercado hollywoodiano finalmente conseguiu produzir um longa decente do Godzilla, chegando perto dos japoneses. A continuação do reboot de 2014 traz de volta o rei dos monstros, adormecido desde os eventos mostrados no longa anterior. Junto com ele, diversos monstros também acordam.

A trama acompanha a equipe da Monarch contra um grupo de ecoterroristas que busca acordar todas as colossais criaturas descobertas. Possuindo uma ligação maior a tudo e recebendo mais importância que seu antecessor, a trama humana se mescla com a dos gigantes de forma que um influencie o outro. Por um lado, isso é bom por não ser apenas algo aleatório para preencher buraco. Por outro, isso é ruim por tornarem mais importante do que deveria.

Dentre os vários personagens humanos, temos a paleobióloga Dra. Emma Russel (Vera Farmiga); sua filha Madson (Millie Bobby Brown); o líder dos terroristas e ex-coronel Alan Jonah (Charles Dance); o especialista em comportamento animal (e ex de Emma) Dr. Mark Russel (Kyle Chandler); o cientista Dr. Ishiro Serizawa (Ken Watanabe); a paleozoologista Dra. Vivienne Graham (Sally Hawkins); a mitóloga Dra. Illene Chen (Zhang Ziyi); a Coronel Diane Foster (Aisha Hinds); o diretor de tecnologias da Monarch Dr. Sam Coleman (Thomas Middleditch), entre outros.

O grande foco nos humanos continua. A diferença é que, dessa vez, felizmente há também foco nos monstros. Buscando o básico que faltou em seu antecessor, o diretor Michael Dougherty (roteirista de X-Men 2 e X-Men Apocalipse) faz questão de mostrar tudo. Ora, se é um filme do Godzilla, tem que ter guerra. E aqui as acompanhamos por boa parte. São brigas sensacionais ocupando toda a tela e além. A sensação de sermos criaturas minúsculas em meio a deuses se gladiando é sentida com maestria. O resultado é um caos onde humanos são interrompidos de seus afazeres e obrigados a sobreviverem. [Devo destacar minha cena preferida dos monstros: A do Ghidorah acordando insano.]

A grande novidade da continuação, que também funciona de forma independente, é a aparição dos clássicos monstros da franquia japonesa. Os grandes destaques são o dragão de três cabeças Ghidorah, a borboleta Mothra e o pterodáctilo Rodan. Embora apareçam outros monstros, alguns até originais, outros resgatados também da franquia japonesa, eles possuem pouco tempo de tela e servem apenas para um propósito geral, ou seja, são parcialmente descartáveis.

Os elementos japoneses não param nos kaiju, chegando a objetos e acontecimentos. É claramente notável referências diretas a algumas das dezenas de longas que a franquia possui. Obviamente em peso menor. Afim de evitar spoilers, não entrarei em detalhes. Algumas notícias e imagens de divulgação chegaram a revelar tais surpresas. [E caramba, sim, Godzilla tem muitos filmes! Já são mais de meio século de filmes. Muitos acham que são apenas uns cinco, por aí, mas não, tem mais de trinta!]

Godzilla II ainda é a pura fórmula clichê hollywoodiana que impede de aproveitar ao máximo seu potencial, porém não se pode negar o avanço. É tudo tão surpreendente, com um resultado tão superior a tudo o que os estadunidenses fizeram, que merece seus méritos. Pode não ser perfeito, entretanto chega a ser melhor que alguns dos longas japoneses. Verdade seja dita. Viva o rei dos monstros e que venha Kong vs Godzilla.

Obs.: Há uma cena pós-créditos. Infelizmente nada demais. Considerando o Monsterverse e o futuro crossover com King Kong, chega a ser estranho não deixarem pistas para isso. A não ser que se considere as diversas referências a Kong a sua Ilha da Caveira ao longo do filme, que ainda assim não deixa nada explícito, já que o tratam apenas como uma das várias criaturas.