Capitã Marvel

Abordando temas importantes, filme prepara terreno para o futuro do MCU.

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Após anos construindo um universo cinematográfico conciso e muito bem estruturado, chegou o momento do Marvel Studios apresentar na tela grande um dos ícones mais poderosos de todo o seu universo, Carol Danvers, a Capitã Marvel.

Desde o seu anúncio, o novo longa metragem se tornou um dos principais e mais importantes projetos da casa das ideias, afinal, além de carregar nos ombros o nome da empresa, Capitã Marvel é o primeiro filme do estúdio protagonizado por uma mulher. Logo, é possível imaginar todo o peso da responsabilidade dos envolvidos no projeto em entregar um filme tão grandioso quanto o seu nome.

Após os eventos de Vingadores: Guerra Infinita, é hora de voltarmos aos anos 90 e conhecermos aquela a quem Nick Fury colocou no posto de última esperança após os feitos de Thanos. Carol Danvers (Brie Larson) é um terráquea que, após um acidente, acaba sendo integrada ao exército extraterrestre dos Kree. Não se lembrando de seu passado, Carol se dedica a ser uma guerreira focada em sua missão de proteger o universo dos atos dos Skrulls. Em um retorno inesperado à Terra, Carol Danvers descobre que o seu passado pode ser a chave para o seu destino.

Sem entrar em spoilers, o filme se inicia mostrando que o conflito entre as raças Kree e Skrulls é real, assim como nos icônicos quadrinhos da Marvel Comics. Se anteriormente fomos apresentados aos Kree em Guardiões da Galáxia (2014), é aqui que nos aprofundaremos ainda mais na mitologia desta importante raça, mostrando assim que o retorno de Ronan, interpretado novamente por Lee Pace, não é gratuito. Porém, embora tenha uma trama que envolva um conflito entre dois grupos, o filme é de Carol Danvers, e tudo é um plano de fundo para a apresentação da origem dessa importante personagem.  

Como um filme de origem, Capitã Marvel consegue desde o início mostrar que Carol é uma personagem forte e determinada, mas que também tem o seu lado emocional mais sensível explorado, fazendo com que haja um equilíbrio em sua personalidade e, consequentemente, em suas ações.

A vencedora do Óscar, Brie Larson, é a responsável por dar vida à heroína. Mesmo não entregando uma atuação digna do prêmio que já recebeu (muito disso devido ao roteiro), a atriz consegue passar em tela toda a determinação e conflitos que a personagem enfrenta. Toda a sua força, orgulho e dúvidas recaem com clareza sobre a tela. Sua interação com Samuel L. Jackson é excelente, principalmente quando a personalidade de um Nick Fury imponente e diretor da S.H.I.E.L.D., ainda está sendo construída ao lado de seu parceiro Phil Coulson que é interpretado novamente por Clark Gregg. Por sua vez, Jude Law também realiza um ótimo trabalho em seu misterioso e importante personagem, mesmo que o roteiro não dê ao mesmo a chance de ser memorável.

Embora tenha uma trama um tanto quanto complexa à primeira vista, o filme opta por seguir plots que surpreendem, mas que ao mesmo tempo evidenciam que este é um filme de origem contido e não tão grandioso como alguns outros projetos do estúdio. Tal decisão pode decepcionar aqueles que foram ao cinema esperando algo tão grande quanto Vingadores: Guerra Infinita, graças a relevância do projeto. Porém, de forma direta, a produção deixa claro que isso nem sempre é necessário para se contar uma boa história.

Dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck, o filme se prova como um elo entre o passado e o presente do Universo Cinematográfico Marvel. Seus feitos complementam o que já nos foi apresentado ao longo de 20 filmes, não decepcionando e muito menos gerando furos com aquilo que já foi estabelecido. Referências relacionadas à própria Marvel como também ao ambiente dos anos 90 (objetos, locais e músicas) brotam em tela a todo momento, dando ao público mais velho uma boa sensação de nostalgia.

Mesmo com um resultado positivo, em sua conclusão o filme deixa uma sensação de que poderia ser ainda maior e melhor. A personagem super-poderosa, sua representatividade, sua imponência e importância para o universo estão em tela, porém o material final poderia explorar ainda mais conceitos importantes, fazendo deste, um filme ainda melhor e totalmente memorável.

Em suma, com um clima revigorante e cenas de encher os olhos, Capitã Marvel apresenta ótimos conceitos e mostra a origem de uma personagem que é, e ainda será, extremamente importante. Mas, além de preparar terreno e deixar os fãs empolgados para a trama de Vingadores: Ultimato, este filme deixa no público o gosto de “quero mais” tanto em relação ao Universo Cinematográfico Marvel, quanto a própria personagem que poderá ter ainda mais destaque e maestria em seu próximo longa metragem que certamente será anunciado em breve.