As Noites na Arábia realmente parecem bem empolgantes na abertura de Aladdin, são sempre tão quentes, que fazem a gente se sentir tão bem. Mas, quem se distrair pode até cair — para trás! Porque a letra da abertura é muito mais absurda do que você imagine.

Epa, epa, epa! Este post é para, no mínimo, maiores de 16 anos de idade. Não queremos crianças falando de orgias dentro de casa, ok? Esteja avisado, pois, nem mesmo O Rei Leão escapará do trauma que este post pode causar em você!

Sim, pense em uma criança assistindo ao filme no cinema, ou a série animada no Disney Channel ou SBT, quando ela pergunta aos pais “o que é orgia?”

Sopram ventos do Leste e o Sol vem do Oeste, mas nenhuma resposta vai amenizar a situação constrangedora na sala. A letra da música em português, por algum motivo bizarro, contém o trecho “orgias demais”.

Como alguém colocou orgias na abertura de Aladdin?

Por quê???? Porque alguém pensou que era bom mostrar como é barbaro o lar de Aladdin, e que esse tipo de coisa realmente existia? Não, não é bem assim.

Aladdin © The Walt Disney Company

Antes da palavra orgia ter conotação sexual, era uma coisa mais… Festiva, embora sempre ligada a excessos.

E por excessos, entenda excesso de bebidas, pessoas dançando sem parar, comida para dar e vender e, sim, eventualmente, relações sexuais entre várias pessoas. O dicionário define a palavra orgia da seguinte forma:

HISTÓRIA DA RELIGIÃO

na Antiguidade, ritual festivo em honra do deus Dioniso (entre os gregos) ou Baco (entre os romanos); bacanal.

POR EXTENSÃO INFORMAL

festividade na qual se sobressaem a euforia, excesso de bebidas, desregramento e libertinagem; bacanal.

O que realmente não faz sentido é isso ter passado pela Disney e ser aprovado, considerando que o público da animação é infantil. Bom, a história fica ainda pior quando você percebe que a voz que canta a música é do finado Pedro Lopes, que dublou o Timão na trilogia do Rei Leão e na série animada Timão e Pumba.

© The Walt Disney Company

Bom, existe uma infinidade de palavras mais antigas que hoje tem conotações totalmente diferentes e acabaram sendo banidas do dia a dia. Antes, gozar era sinônimo de alegria, felicidade… Hoje, bem, hoje também, mas num sentido beeeeeeem diferente.

Me lembro da expansão do primeiro The Sims, que se chamava “Gozando a Vida”, e que em meados de 2006 virava motivo de piada sempre que eu falava a respeito dela, na escola. É complicado…

Aladdin (2019) © Walt Disney Studios

Bacana, Baco e Bacanal são do Balacobaco

A palavra Bacana, por exemplo, era bem comum nos anos 80. Hoje, é considerada por muitos jovens como cafona, mas remete aos bacanais, festas de excessos, sinônimos de orgia e cultos ao deus Baco. Balacobaco significa festa ou farra, então tá tudo próximo, mais conectado que os universos Marvel da TV e do cinema.

Palavras como esculhambar (essa é realmente pesada nos tempos antigos), pentelhar, babaca, aporrinhar, esporro e outras várias vieram de conotações sexuais e hoje têm significados mais cotidianos e nada ofensivos. Isso prova que a língua portuguesa está sempre se adaptando e ganhando novos significados, que variam de acordo com regiões, épocas e cultura.

Enquanto isso, Aladdin está nos cinemas, sem orgias, livre para todos os públicos. E cuidado, se você comprar o filme na feirinha ou com o Perigo, corre o risco de comprar o Aladick, uma paródia para maiores de 18 que está correndo a Internet.

Vá ver Aladdin nos cinemas!

Sinopse de Aladdin

Aladdin (Mena Massoud) é um jovem ladrão que vive de pequenos roubos em Agrabah. Um dia, ele ajuda uma jovem a recuperar um valioso bracelete, sem saber que ela, na verdade, é a princesa Jasmine (Naomi Scott). Aladdin logo fica interessado nela, que diz ser a criada da princesa. Ao visitá-la em pleno palácio e descobrir sua identidade, ele é capturado por Jafar (Marwan Kenzari), o grão-vizir do sultanato, que deseja que ele recupere uma lâmpada mágica, onde habita um gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos ao seu dono.

Dirigido por Guy Ritchie, Aladdin conta com Will Smith como GênioMena Massoud como o personagem título, Naomi Scott como Jasmine e Marwan Kenzari como Ja’Far.