Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível | Crítica

O mais novo filme da Disney é um festival de emoções para todos os públicos.

Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível é o mais novo filme do Walt Disney Pictures, e apresenta uma continuação direta às clássicas animações do Ursinho Pooh.

Eu assisti o filme no escritório da Disney, em São Paulo, a convite do Luiz Patolli, e onde tive a honra de conhecer o lugar onde a galera faz a mágica acontecer e traz os produtos do Marvel Studios, da Lucasfilm, da Disney e da Pixar para nós, aqui no Brasil.

E essa não foi a única honra! Além de estar com o pessoal da Disney, bem pertinho, conheci a Débora Rodrigues, psicóloga que também produziu um material muito legal sobre o filme e que me inspirou bastante com a nossa conversa!

Agora, sem demora, vamos à crítica!

Na era das adaptações de Live Action da Disney, Christopher Robin traz um ar de renovação ao se mostrar como uma sequência para o Ursinho Pooh.

E é um filme digno de todos os sentimentos que você terá ao longo da sessão.

Com Ewan McGregor como o protagonista Christopher Robin (conhecido como Cristóvão na dublagem brasileira dos desenhos animados) e Hayley Atwell como Evelyn Robin, o filme entra na onda de adaptações live-action de desenhos clássicos da Disney e traz uma abordagem mais dramática, séria e até mesmo um pouco adulta da turma do Ursinho Pooh.

Inclusive, esse é um dos pontos fortes do filme, que começa com uma introdução que lembra livros infantis, com ilustrações animadas que remetem a nanquim, e aos poucos se mostra como um filme mais sério. É uma transição que serve para situar o espectador e deixar bem claro – você conheceu o Pooh, lembrou dele?

Essa ideia é reforçada pelas várias referências que são colocadas ali no começo, que lembram muito as versões que nos acostumamos a ver na infância. E muitas outras referências se revelam durante o filme!

E a transição para as fases de Christopher Robin fora do Bosque dos 100 Acres basicamente te dizem: então, agora prepare-se para ver algo completamente novo, que vai contra tudo aquilo que foi estabelecido para o Ursinho Pooh e o Cristopher Robin.

É bem isso mesmo que acontece, a princípio, você provavelmente sentirá pena de Christopher, depois pensará “sério?” e chegará ao ponto de dizer “eu realmente odeio quem esse cara se tornou”. Tudo isso faz parte do processo, é parte do que a Disney quis transmitir e faz a diferença quando pensamos na jornada emocional do personagem e na conexão que isso gera com o público.

Para todos os tamanhos, idades e gostos

E por falar nisso, vale lembrar que Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível não é um filme para adultos, não é um filme para crianças e não é voltado aos fãs do personagem.

Para quem, então, foi feito esse filme? Todos os públicos citados acima! Já posso adiantar que fazia muito tempo que eu não assistia a um filme da Disney que realmente englobasse várias faixas etárias e tipos de pessoas diferentes. Para muitos filmes, essa poderia não ser a melhor decisão, mas, para esse caso em específico, funcionou!

Atmosfera envolvente

O figurino, os cenários, os trejeitos dos personagens e a fotografia do filme fazem tudo parecer natural. O longa se mostra como um “filme de época” sem perder uma linguagem acessível ao público mais jovem, moderno.

A essência está ali, e você realmente acredita que a Londres retratada em Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível foi filmada na época em que o filme é situado. É tudo muito real e convincente!

O crescimento emocional e a forma como o roteiro lida com certos personagens e situações é divertido e envolvente, é algo realmente inteligente e as cenas não estão ali por estar, é tudo muito bem amarrado. Muitos dos elementos (como o balão vermelho, por exemplo) são direcionados a quem já conhece os personagens há tempos, mas que também ganham um significado novo para quem está vendo pela primeira vez o mundo de Pooh.

Nem todos gostam de mel!

As crianças, principalmente, podem se sentir incomodadas com a forma como o humor é tratado durante o filme. É algo muito sutil e específico, e homenageia praticamente todas as animações do Pooh com referências a cenas já criadas e recriadas em outras mídias, então não tem nada que seja REALMENTE engraçado para uma criança cair na gargalhada – é bem diferente dos filmes que são apresentados à criançada hoje em dia.

Não dá para dizer que é um ponto negativo ou positivo, porque é claramente proposital. A grande questão é: você, que já conhece o Pooh, provavelmente irá se divertir mais do que os seus filhos mais jovens, mas isso não significa que eles não terão uma boa experiência.

O clima é bastante sentimental o tempo todo, e envolve questões internas complexas (essa parte é algo que os adultos irão perceber de imediato), porque lida com tudo aquilo que perdemos e deixamos de ser ao crescermos, a jornada para recuperarmos nossos sonhos e a criança que ainda vive dentro de nós.

Somos todos Christopher Robin

Do começo ao fim, Christopher é um personagem que faz os adolescentes e adultos se enxergarem em diversos pontos da sua vida, na infância, na adolescência e na vida adulta – e mesmo que você não tenha um emprego numa fábrica de malas, um carro ou filhos, pequenos detalhes te incomodarão e o farão pensar no que você está fazendo hoje e no que deve fazer amanhã – será que essa é a vida que sempre quis ter?

E esse é grande mérito do filme. Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível não se vendeu como um filme cabeça em momento algum, e é um filme família perfeito para assistir no final de semana ou depois de um longo dia de trabalho, mas lá no fundo, ele te faz enxergar coisas que talvez você queira esquecer ou nem se lembre que existiam, e isso pode despertar sentimentos incríveis e até mesmo melancólicos.

E a trilha sonora?

A parte musical do filme é bem legal. É ela que embala boa parte das situações e desperta algumas das sensações que temos durante o filme, e até mesmo as intensificam.

E, como esse é o propósito de uma trilha sonora, não há do que reclamar. A recriação de alguns temas e a utilização de músicas clássicas, originais dos desenhos do Pooh, é absolutamente louvável.

A única falha do filme é não dar mais espaço para Hayley Atwell

Hayley é brilhante em cada segundo de sua atuação, e é mesmo uma pena que não tenhamos mais da vida dela como mãe e dos seus próprios problemas pessoais. É claro que a trama se foca em Christopher Robin, mas não dá para deixar de mencionar que a ênfase no que se passa dentro das mentes de Evelyn e Christopher poderia ter deixado tudo ainda mais emocionante.

Ainda assim, alguns olhares e expressões dos atores nos fazem imaginar o que eles estão sentindo muito bem até, e não focar totalmente nisso alivia um pouco do tom dramático do filme.

O filme tem cenas extras durante os créditos!