Capitão América: Guerra Civil | Crítica #1

Quando se fala em Guerra Civil, a primeira coisa que um fã de quadrinhos pensa é: Homem-Aranha. Com a adaptação cinematográfica não poderia ser diferente, afinal estamos falando da introdução do herói no Universo Cinematográfico Marvel.
O filme, porém, vai muito além disso, surpreendendo até mesmo os fãs que já esperavam uma produção sem precedentes, de tirar o fôlego, baseando-se na indiscutível qualidade de Capitão América: Soldado Invernal, também dos irmãos Russo.
O filme se distancia de outras produções do estúdio, ao mesmo tempo que mostra que tudo está conectado. De uma vez por todas.
Se os filmes anteriores do estúdio recebiam elogios, ainda que criticados por humor exagerado em situações desnecessárias, tal como aconteceu com Homem de Ferro 3 e Vingadores: Era de Ultron, aqui os irmãos Russo acabaram de vez com qualquer dúvida sobre a qualidade dos futuros filmes da Marvel, mesmo aquela dúvida se os filmes de super-heróis não estão se tornando cansativos. Guerra Civil equilibra o clássico humor dos filmes da Marvel em momentos bem específicos, através de personagens que já apresentaram essa característica antes. Homem-Formiga e Homem-Aranha estão ali, dentre muitas outras funções, para isso, mostrando que apesar de pertencerem a universos de gêneros diferentes, mais humorados e com menos drama, se encaixam perfeitamente em qualquer produção do estúdio.
O filme é essencialmente um filme do Capitão América. Temos a continuação dos eventos de Soldado Invernal sendo levados a níveis globais. O filme busca mostrar que as ações dos Vingadores causaram mortes pelo mundo todo, e que as pessoas já não estão tão contentes com a presença dos heróis, andando livremente por aí. Apesar disso, temos muito do Homem de Ferro, que literalmente divide o filme com Steve Rogers.
O personagem interpretado por Robert Downey Jr. já não é aquele Tony Stark que vimos no primeiro Homem de Ferro. Fica clara a evolução do personagem e como a vida de Vingador moldou sua personalidade ao longo dos anos. Ele não está depressivo, mas já não é tão inconsequente e demonstra com credibilidade estar sensibilizado pelos recentes confrontos com vilões.
tumblr_mao3np7zM91qlhck1o3_500
tony5
O Capitão Steve Rogers, interpretado por Chris Evans também já não é mais o Capitão América apresentado em O Primeiro Vingador. Sua mudança foi menos sutil, já que o personagem perdera sua inocência durante os eventos de seu primeiro filme solo, o que perpetuou na sequência do mesmo, e nos demais filmes dos Vingadores.
chris1
tumblr_inline_o3dggxDfYb1ragjyh_500

A evolução de Tony Stark e do Capitão Steve Rogers
É possível notar a evolução dos personagens ao longo do tempo, reflexo dos acontecimentos que os levaram ao ponto de Guerra Civil. De cima para baixo: Capitão América: O Primeiro Vingador e Homem de Ferro, Os Vingadores e Homem de Ferro 2, Capitão América: Soldado Invernal e Homem de Ferro 3, Capitão América: Guerra Civil.

O filme fecha muitas lacunas deixadas em abertos nos filmes anteriores, enquanto expande o Universo Marvel como nenhum outro filme do estúdio foi capaz de fazer. Temos a introdução de dois heróis novos, um vislumbre do futuro dos Heróis Mais Poderosos da Terra, e um clima mais pesado acerca da existência de super humanos, algo que deve ser explorado em todas as futuras produções do estúdio.
Personagens como Feiticeira Escarlate e Visão ganham uma profundidade emocional maior do que a vista em Era de Ultron, garantindo aos fãs muito mais do que um espetáculo visual, mas um debate psicológico, ideal e emocional.
Gavião Arqueiro, Homem-Formiga e Homem-Aranha aparecem da maneira que os fãs sempre quiseram. Os personagens mostram todas as características que os consagraram nos quadrinhos. Barton está mais sarcástico que nunca, e acaba por provar, mais uma vez, que é um elo necessário na equipe. Lang é um personagem recente. Não há uma grande mudança desde os eventos do seu filme solo, enquanto o Homem-Aranha dá um show de “fanservice”, sendo aquele Peter mais jovem, menos experiente, gênio e geek. Desajustado, com contas para pagar, e preocupação de sobra com sua tia May, o herói aracnídeo é convencido a se juntar ao time de Tony Stark, de maneira similar àquela contada nas hq’s dos Novos Vingadores (Marvel NOW, 2013).
djjrkhjpmqoyhpbkxusm
Máquina de Combate, Falcão, Soldado Invernal e outros personagens também participam da trama, todos muito bem colocados e com participações relevantes.
Apesar do vilão, Helmut Zemo, não ser aquilo que se espera, baseado na versão dos quadrinhos, ele cumpre seu papel e não desaponta. Sua motivação não é absolutamente nada surpreendente, mas também não acaba por decepcionar ou parecer confusa. Nenhum personagem do filme é subestimado. Um ponto fortíssimo do filme.
Outro ponto a se considerar é a brilhante atuação de Chadwick Boseman como Pantera Negra. O personagem tem uma motivação convicente e presença forte. Tudo que envolve o personagem empolga o espectador para seu filme solo, que promete ser uma produção excepcional e diferente.
A trilha sonora tem um toque industrial, similar a algumas faixas da trilha de Soldado Invernal, também composta por Henry Jackman. O tema principal é moderno e tem um tom um pouco patriota, mais até que a trilha sonora de O Primeiro Vingador, composta por Alan Silvestri.
A evolução dos figurinos é algo perceptível. Enquanto o uniforme do Capitão América ainda se parece com o utilizado em Era de Ultron, Homem de Ferro, Gavião Arqueiro e Feiticeira Escarlate ganharam novas roupagens, mais próximas de seus visuais nos quadrinhos. A Viúva Negra voltou às origens, e veste um uniforme menos chamativo, sem as características linhas ao estilo “Tron: O Legado” de Era de Ultron. A armadura do Máquina de Combate está mais robusta, e com um visual mais agressivo.
Por fim, os efeitos estão incríveis como sempre. O realismo das batalhas impressiona, marca dos Russo deixada já em Soldado Invernal. É possível sentir cada golpe, desde os chutes letais da Viúva Negra, as flechas de Clint Barton, aos poderosos golpes de Homem-Formiga, rajadas do Homem de Ferro e ao Escudo do Capitão América.
TeamCap