Buscando… | Crítica

Uma interessante experiência através de uma tela de computador.

Nas últimas décadas, filmes foram feitos mostrando o perigo de conversar com estranhos pela internet. Longas como A Sala Negra e Confiar são exemplos claros de como não conhecemos aqueles que estão por trás da tela. As vezes nem mesmo quando os encontramos pessoalmente. Agora imagine uma premissa nessa pegada, só que toda se passando numa tela de computador. Esse é Buscando…

O estilo do longa não é exclusivo nem original, mas existem tão poucos filmes assim que acabam se destacando. Seja em Megan is Missing, The Den ou Amizade Verdadeira, somos apresentados a situações vistas sob o ângulo de webcams, serviços de streaming, gravações de segurança, celulares, etc. A diferença é que tais filmes, apesar do suspense em comum, costumam trazer algo mais voltado para o terror, enquanto esse é mais voltado para o drama.

O primeiro longa do diretor Aneesh Chaganty (também roteirizado pelo mesmo) se destaca por trazer uma experiência realista através de tudo o que uma tela de computador tem a oferecer. O resultado chega a ser mais interessante e de certa forma mais proveitoso que seus semelhantes. Tirando uma ou outra cena, a maior parte se passa no desktop.

A trama acompanha o pai de família David Kim (John Cho) em busca de sua filha desaparecida Margot (Michelle La), de 16 anos. Enquanto a detetive Rosemary Vick (Debra Messing) investiga o caso, Kim decide invadir o notebook da filha em busca de informações, o que o leva a novas descobertas. A cada novidade, algumas reviravoltas ocorrem ao longo da trama.

Experiência diferente

O processo de pesquisa do protagonista é mostrado em detalhes. Ele realmente vai fundo na procura de tudo o que a filha publicava online. A história vai sendo contada por conversas por chats e webcam, pesquisas em páginas da internet, sites de vídeos e notícias, redes sociais, arquivos do computador, etc. É como acompanhar uma “gameplay” de um simulador de PC. A comovente abertura deixa claro a proposta do longa.

Todo o modelo de tela, tanto do Windows quanto do Mac, são fielmente reproduzidos no filme, desde o visual, até os ícones, papel de parede, descanso de tela e afins. Inclusive as formas que os programas abrem e como são utilizados. Até quando usam outros meios para contar a história, fazem questão de manter tudo dentro da proposta e da forma mais real possível.

A versão traduzida do filme merece bastante destaque por manter a fidelidade do estilo. Traduziram e adaptaram o máximo possível sem influenciar no conteúdo, o que aumenta ainda mais a experiência. É bacana citar o cuidado que tiveram, aproximando assim o público.

O filme é claramente um alerta aos pais e aos próprios filhos, ou usuários de chats diversos na internet. Nunca se sabe quem está por trás do outro perfil. Buscando… talvez seja o longa que melhor conseguiu utilizar o estilo de tela de computador. Sua trama “simples” é enriquecida pela experiência do formato, pelas reviravoltas e por acompanharmos todo o processo de investigação. Uma grande crítica a nossa exposição virtual.