Batman vs Superman: A Origem da Justiça #1

Apesar das falhas, a Warner abre as portas do Universo Cinematográfico DC com a competência esperada.

Em 2013, Zack Snyder entregou aos fãs e ao mundo uma nova versão do maior ícone dos super-heróis. Homem de Aço chegou para mostrar que o Superman podia sim ser interessante para as novas gerações, através de elementos clássicos e novos que foram introduzidos no longa. A opinião dos fãs ficou dividida, há aqueles que amaram, e há aqueles que detestaram. Sem meio termo.
Batman vs Superman – A Origem da Justiça não causou um efeito diferente. Ao apresentar o encontro dos fundadores da Liga da Justiça pela primeira vez na história do cinema, diversos elementos dos quadrinhos, games, e outras adaptações foram respeitados, bem como, muitos outros foram alterados.
O filme tem início com a belíssima sequência da morte de Thomas e Martha Wayne. É a história que todos conhecemos, portanto, tudo é apresentado de maneira rápida e objetiva, a fim de definir o tom do filme. Com a excelente trilha sonora de Hans Zimmer e Junkie XL, a cena passa diante dos olhos do espectador como uma obra de arte em movimento.
A conexão com Homem de Aço fica por conta da participação de Bruce Wayne na batalha de Metrópolis, quando o empresário fica em meio à destruição causada por Zod e Superman, e tenta, de todas as maneiras salvar seus funcionários e civis. Neste momento, é notável como a sensação de desespero por conta dos personagens humanos é transpassada ao espectador. Vale ressaltar a perfeita sincronia com as cenas de Homem de Aço, quando Zod usa a visão de calor dentro de um edifício.
Somos então apresentados à Jimmy Olsen, um agente da CIA disfarçado de fotógrafo, e uma intrépida Lois Lane, mais ousada do que no primeiro filme. A partir daí, os eventos são um plano de Lex Luthor para mostrar ao mundo sua visão, onde o Superman é uma ameaça.
E por falar em Lex, sua apresentação também é digna de destaque. A fumaça contrastando com suas roupas, o famoso efeito slow-motion, característica do diretor, e mais uma vez, a trilha sonora do filme se encaixam com harmonia, para o deleite daqueles que assistem ao espetáculo.
Personagens vem e vão, e os problemas do filme começam a surgir com a introdução de Luthor, e seus planos maléficos, que sem uma motivação aparente, acabam por tornar tudo muito parecido com planos que o Coringa criaria. A atuação de Jesse Eisenberg é impecável, o roteiro, porém, não ajuda o personagem. Fica realmente difícil imaginar como o Coringa de Jared Leto e Lex Luthor poderiam interagir em um filme futuro, visto que os dois personagens devem ter motivações e personalidades similares, algo que pode resultar na sensação de “mais do mesmo”.
O personagem, porém, causa a admiração e o ódio dos espectadores. É o tipo de vilão que você gosta de odiar.
A primeira metade do filme se dá como uma espécie de documentário, onde o espectador decide se o Superman é necessário ou não, se ele deve ser contido ou não. E a partir dessa premissa, e mais planos maquiavélicos de Luthor, Batman resolve comprar briga com Superman.
Superman tem momentos grandiosos, principalmente no final do filme. Mas até a batalha final, ele está lá para ser julgado, seja pelos fãs, pelo vilão do filme, pelos outros personagens, e até por si mesmo. Não há um grande problema nisso, mas o roteiro não permitiu que víssemos um Superman tão culpado pelas próprias ações como em Homem de Aço, apesar do filme insistir que víssemos o personagem dessa forma.
Batman, por outro lado, está perfeito. Todas as cenas com o personagem te dão aquele gosto de “quero mais”. As referências à série Arkham estão presentes em cada movimento do Homem Morcego. É possível ver o quanto o personagem é afetado pelo trauma de perder os pais. Sua vida como playboy milionário também é brevemente explorada, bem como seu passado e outros personagens da sua mitologia, que são citados através de referências o tempo todo.
A introdução da Mulher-Maravilha é aceitável, e a motivação da personagem para estar ali também é. A revelação de sua identidade é um gancho necessário para seu filme solo. Já a aparição dos outros membros da Liga da Justiça, ainda que maravilhosa, é totalmente gratuita, e lembra muito o que foi feito com o Sexteto Sinistro em O Espetacular Homem-Aranha 2, que também sofreu na mão dos fãs e críticos pelo mundo.
A batalha entre Batman e Superman vai além da troca de socos e chutes. Os personagens possuem diferenças ideológicas gritantes, e apesar do início do filme, onde Clark deixa subentendido que até mesmo mataria se fosse por Lois Lane, o Superman insiste que os inimigos não devem ser mortos, enquanto o Batman, mais experiente e submerso na escuridão de Gotham, mata bandidos sem dó.
A introdução de Apocalipse se dá através de uma antiga lenda kriptoniana, em que um indivíduo poderia ser reanimado com uma técnica proibida. Isso foi brevemente mencionado no Blu-Ray de Homem de Aço, e felizmente aproveitado aqui. O “bichinho” de Luthor se vira contra tudo e todos, e mesmo após uma ameaça que poderia transformar o Superman em um assassino imparável, o herói salva Luthor, mostrando que, apesar de tudo, ainda é o herói que amamos.
O roteiro do filme tem altos e baixos. Durante a primeira metade, o filme falha em encontrar o tom que deve seguir, e muitas cenas acabaram sendo pouco aproveitadas, para dar espaço à referências que abrem as portas para o Universo DC. O tom sombrio existe, mas dá lugar a alívios cômicos por parte de personagens como Alfred, Martha Kent, Perry White, Lex Luthor, e até mesmo do próprio Batman.
O final do filme acaba por trazer uma adaptação de uma importante saga da DC. Muito oportuna, principalmente aos fãs que criticaram as atitudes e falas do Superman durante o filme, e que acabaram por ser os mesmos a se comover. Ver a Trindade pela primeira vez é algo emocionante, que traz à tona a criança dentro de nós.