Assassin's Creed | Crítica

Adaptação apresenta uma nova história no mesmo universo dos jogos, mas desperdiça seu potencial.

Em meio a tantos filmes ruins baseados em jogos, o executivo da Ubisoft havia dito numa entrevista que a adaptação de Assassin’s Creed seria um divisor de águas, onde a empresa trabalharia junto ao estúdio de cinema responsável (no caso, a Fox) para uma adaptação literal, um marco na história de filmes da categoria. O resultado chegou e recebeu um desempenho negativo de críticas lá fora. Eis que finalmente chega ao Brasil e confirmo: Não é um divisor de águas. Está mais para divisor de público.
Primeiramente, Assassin’s Creed passa longe da bomba que andam considerando, mas também não chega a ser grandioso. É aquele tipo de filme que consegue entreter, mas que dá uma sensação de que poderia ser melhor. Como filme, diverte. Como adaptação, não posso dizer com exatidão por não ter jogado os jogos, embora tenha visto vídeos, conheça a base da história e alguns elementos, mas após algumas pesquisas com críticos gamers notei que o filme pode sim ser considerado uma boa adaptação, apesar do resultado. É importante destacar que filmes baseados numa obra podem ser avaliados tanto como filme tanto quanto adaptação. O ideal é que seja funcional nos dois lados.
Diferente do que a maioria das adaptações seguem, o longa é baseado na franquia de jogos em vez de um jogo em específico, mas sua história se passa no mesmo universo. Ou seja, temos uma aventura inédita com um personagem exclusivo, mas com os mesmos elementos dos jogos, inclusive se encaixando na história geral. Na trama, Callum Lynch (Michael Fassbender) é mandado para a cadeira elétrica por assassinato, mas é salvo pela Drª Sophia Rikkin (Marion Cotillard), que trabalha para a fundação Abstergo, na Espanha. Ele descobre ser descendente de Aguillar, membro de uma organização secreta conhecida como Assassinos. Contra sua vontade, ele é posto na Animus, uma enorme máquina capaz de interligar a mente do usuário com seu ancestral. Callum então é transportado para o corpo de Aguillar, que viveu durante a Inquisição Espanhola do século XV. No passado, ele deve lutar contra os Templários, inimigos declarados, e encontrar a Maçã do Éden, um artefato possuidor do código genético do livre arbítrio. De acordo com a Drª Sophia, a Maçã é necessária para o objetivo da empresa, que é acabar com a violência do mundo.
As cenas que ocorrem no passado são visualmente incríveis, com figurino e cenários bastante característicos dos jogos. Também estão presentes as armas clássicas, como a adaga, e muitas acrobacias. Merece importância relatar que as cenas no passado são todas em espanhol, melhorando a experiência. Porém, se por um lado a franquia de jogos é conhecida por esses momentos de batalhas de séculos atrás, pelo filme o foco é o contrário: O presente. Com esse foco, o filme acaba por desenvolver melhor o ambiente em que as cobaias vivem e a situação do protagonista, mas também acaba por durar mais do que devia e desperdiçar tempo em assuntos já datados.
Apesar de apresentar uma nova história e inserir diversos elementos dos jogos, o longa sofre com a falta de aprofundamento. O público que não conhece os jogos irá entender a trama, mas ficará sem entender alguns detalhes. Por parte do filme, os personagens são superficiais. Estão onde estão, cumprem seus papéis e nada mais. Não que seja realmente um problema, mas deixa vago as reais intenções de cada um. Não dá ao público o apego de identificação, tornando-os esquecíveis. Por parte dos jogos, temos a Maçã do Éden, um artefato poderoso que sequer é explorado na trama, apenas inserido, mesmo sendo uma peça-chave na história. O Salto da Fé, que os assassinos usam para pular de grandes alturas, sequer é explicado, sendo apenas inserido também.
Com enorme potencial desperdiçado, mas com um resultado aceitável, Assassin’s Creed se molda nos padrões hollywoodianos, com direito a clichês, e se torna mais um filme baseado num jogo, dessa vez superior a muitos da categoria, mas ainda assim com a sensação de que precisam melhorar. Problemas a parte, o produto final agrada com boas cenas e uma apresentação de uma história que pode ser mais explorada em suas continuações, caso tenha. A ideia de personagens exclusivos para o cinema pode ser de grande ajuda, evitando assim comparações detalhadas por parte do público mais exigente, expandindo a franquia com um universo canônico e deixando uma liberdade maior para criar uma história dentro do mesmo universo sem afetar o que já foi contado.

Assassin's Creed
Jornalista e apreciador da cultura geek, gosta de ver filmes, ler quadrinhos e ouvir música. É fã da cultura asiática e quer ser escritor de ficção para dominar o mundo.