O Anime Friends 2018 marcou a primeira edição do evento pela empresa Maru Division, que adquiriu o evento junto ao Ressaca Friends no ano passado. Abaixo você saberá tudo que aconteceu no evento, além das novidades, fotos e uma entrevista com Takumi Hashimoto, o Zyuranger Amarelo!

anime friends 2018

ANIME FRIENDS 2018 – O QUE MUDOU EM COMPARAÇÃO AO ANO PASSADO?

Para quem acompanhou a jornada do Anime Friends sob a tutela da Yamato é fácil imaginar que tipos de mudanças seriam bem-vindos pelos fãs do evento e frequentadores em geral. As reclamações clássicas sempre eram as mesmas:

  • Os banheiros são péssimos;
  • Sempre chove e o cosplay vai por água abaixo;
  • Quando não chove, o sol derrete até a sua alma;
  • Comida, cadê?

E por aí vai! É claro que as últimas edições tentaram contornar os problemas. Alguns foram até mais bem evitados do que outros. A última edição, por exemplo, aconteceu em um espaço coberto, os banheiros foram relativamente bons e tinha food truck para todos os gostos (mas não todos os bolsos)!

Não irei me aprofundar muito no que aconteceu no evento anterior, mas você pode conferir o que eu achei do Anime Friends 2017 no link abaixo:

Anime Friends 2017 – como foi o evento, afinal?

Eu frequentei o Anime Friends e o Ressaca Friends, além de eventos como Anime Fantasy e Anime Dreams por alguns anos durante a adolescência, mais especificamente entre 2008 e 2012 (esse último ano foi o mais marcante, por ser uma edição bem maior que as anteriores, ainda com um preço agradável).

MEMÓRIAS DO PASSADO

Enfrentei chuvas, barro, superlotação, calor excessivo, falta de locais para trocar de roupa e banheiros em uma situação deplorável, mas também me diverti bastante, conheci pessoas novas e pude me aprofundar mais na cultura de entretenimento oriental.

A experiência é como uma ponte, que em certos momentos vê águas turvas passando, e em outros vê água cristalina. Resumindo: entre prós e contras, foi uma era divertida.

A comparação com a edição do ano passado é generosa para a Maru Division. A nova empresa dona do Anime Friends foi capaz de transformar um evento “do povão otaku” em algo muito mais profissional e melhor planejado.

Não, não estou atirando pedras na Yamato e dizendo que eles não sabiam o que faziam, na verdade, tenho certeza que os aspectos mais “trash” do evento eram tão marcantes que acabaram virando uma espécie de marca registrada da empresa. Afinal, ainda que o público reclamasse, os eventos estavam cheios.

O GRANDE ERRO DA YAMATO – OUTRA GERAÇÃO, OS FÃS CRESCEM!

Sim, as pessoas crescem. Você, que está lendo isso, pode ter de 18 a 24 anos agora, mas daqui a alguns anos, seus gostos podem mudar e você talvez nem apareça mais por aqui (espero estar errado, afinal, é um prazer ter você no Geekable)!

O grande “xis da questão” aí é o seguinte: a Yamato replicou exatamente a mesma fórmula por mais de uma década, com algumas leves alterações nas edições mais recentes, muito por conta do K-POP ter se tornado absurdamente popular e por causa de outros eventos e festivais parecidos, como o Comix Fest, o Festival Internacional de Quadrinhos, a BGS e a Comic Con XP.

Então, o que aconteceu: quem ia nas edições mais antigas se afastou por conta daquela sensação de “mais do mesmo” e dos preços que só subiam.

E, acredite: o preço não precisa ser uma barreira. Ele só se torna um problema quando o consumidor não enxerga um valor maior do que o custo.

Calma, se ficou muito complexo, eu irei traduzir: a sensação de que o Anime Friends é caro só existe porque não é criada uma expectativa realmente grande sobre o quão bom ele pode ser e, muitas vezes, quem cria alguma expectativa é o próprio fã.

E existe problema nisso? Sim! Afinal, quem tem que criar essa expectativa é a empresa, utilizando EXATAMENTE aquilo que estará no evento como forma de promovê-lo. Quando o fã cria expectativas que não condizem com o que será apresentado de fato, o resultado é a frustração. E aí, amigo, não adianta chorar, porque o fã se torna um avaliador e ele não vai poupar palavras na hora de reclamar!

O ACERTO DA MARU DIVISION NA DIVULGAÇÃO

O Anime Friends era considerado o maior evento do seu gênero antes de surgirem eventos maiores, mais profissionais e mais divertidos. Mas, recentemente, a marca perdeu força e ganhou um background um pouco negativo, até. Como mudar isso?

A Maru Division investiu pesado na divulgação. Painéis estáticos espalhados por estações da CPTM e do Metrô de norte a sul, leste a oeste da cidade. Mas, não só isso. Até porque, ainda que em menor escala, isso já acontecia! A empresa teve a sacada de colocar painéis com “hologramas” da Hatsune Miku, uma das maiores atrações do evento, além de conter uma chamada animada. Era algo que você, passageiro, parava para olhar.

E aí surgia a vontade de pesquisar. “Nossa, como isso ficou tão grande, assim, do nada?”

E aí está o acerto: a Maru Division gerou curiosidade!

Agora, chega de papo! Vamos descobrir o que foi bom e o que não foi no Anime Friends 2018?

anime friends 2018

O QUE FOI BOM NO ANIME FRIENDS 2018?

A Maru Division convidou o Geekable para a cobertura do AF 2018. Ano passado, a Yamato também nos convidou (e como você pode ver no link da edição do ano passado, nós não pegamos leve)!

Um dos maiores trunfos do Anime Friends 2018 é a diferenciação. O evento utilizou os meios de comunicação para mostrar que, apesar de ter o mesmo nome das versões anteriores, tudo seria diferente. Alteraram os traços da mascote do evento para uma versão mais shoujo.

Veja a comparação das versões de 2016 e 2018:

anime friends 2018 anime friends 2016

Eu, particularmente, não tenho preferência pelas mascotes. Ambas são consideravelmente melhores do que as ilustrações utilizadas em eventos menores, que mais parecem fanarts do que artes para a divulgação (não citarei nomes para o bem maior).

Aliás, a versão de 2016/2017 e anteriores lembrava muito aquelas artes do Ragnarök Online, então tenho até uma certa memória afetiva.

Outros pontos de destaque:

Comida variada, incluindo comida oriental, com preços bem legais (alguns food trucks estavam com itens bem básicos e caros, mas outros compensavam e MUITO);

  • Muitas atrações;
  • Host que interagia com os fãs o tempo todo;
  • Local de fácil acesso;
  • Local bem ventilado.

TOKUSATSU FRIENDS?

O Anime Friends 2018 trouxe várias atrações legais. Dubladores? Não podia deixar de ter.

Nomes como Guilherme Briggs, Wendel Bezerra, Tânia Gaidarji, Alfredo Rollo e outros marcaram presença no evento. E foi muito divertido!

Mas, sem dúvida, a atração principal (tirando os shows de Hatsune Miku e Blanc7) foi o Tokusatsu.

Ultraman teve um museu dedicado a ele, uma estátua e um food truck! Tudo isso além de um ÉPICO SHOW AO VIVO.

Cara, mesmo eu, que não sou um fã assumido do personagem (só conheci algumas versões por cima), fiquei apaixonado com tudo que vi sobre o personagem. E fiquei com muita vontade de conhecer mais a respeito!

E não foi só isso, não! Teve um astro que me deixou muito feliz ao entrevistá-lo: Takumi Hashimoto, o Zyuranger amarelo.

zyuranger
Não, não é Power Rangers, é Zyuranger!

Se você não conhece, o Kyouryu Sentai Zyuranger é o Super Sentai que inspirou Mighty Morphin Power Rangers, e quem me conhece sabe que eu AMO Power Rangers, principalmente Mighty Morphin, In Space e Time Force.

Confira a entrevista com Takumi Hashimoto abaixo (ele tem um recado para você)!

Takumi Hashimoto
Essa foto foi ideia dele, e eu fiquei MUITO feliz. Destaque para as roupas e All-Star amarelo dele e meu All-Star do Superman (alô, Briggs)!

Anime Friends 2018

O QUE NÃO FOI LEGAL?

Otaku é complicado. A cultura otaku brasileira em si acaba por excluir elementos da cultura geek e da cultura pop às vezes. É uma coisa muito isolada e nichada, mas isso está mudando aos poucos (já mudou bastante nos últimos anos, na verdade) e os eventos não têm vergonha de admitir isso.

Eu, sinceramente, nem sei se falar otaku é algo tão normal quanto era anos atrás, já que conheço pessoas (eu incluso) que não gostam desse termo. Então, daqui em diante, utilizarei o termo fã, porque é isso que você é, um fã!

Para quem não conhece, a palavra OTAKU se refere a pessoas absurdamente obcecadas por algo no Japão. Mas, o uso moderno da palavra tem sido comparado ao da palavra Geek nas terras nipônicas. Isso significa que Otaku = Geek no conceito popular.

E isso é bastante curioso, não é mesmo? Se pensarmos pelo campo semântico da palavra, não existe nada de errado em misturar elementos de eventos Geek e de cultura oriental. Aliás, Dragon Ball Super: Broly (o novo filme) fez um baita sucesso na San Diego Comic-Con desse ano.

MAIS ATRAÇÕES DIVERSIFICADAS

Voltando… O AF 2018 teve, sim, muitas atrações, mas a sensação que tive foi similar àquela de quando entramos no Netflix.

“Tem tanta coisa para assistir, mas parece que não tem nada!”

E isso é… complicado. Tem sim, estandes para todos os gostos, mas a maioria era para algumas lojinhas menores, e ficou difícil de se divertir para valer em algum estande. Triste.

Falta, ainda, trazer editoras japonesas. Se trazer a Shonen Jump para o Anime Friends é impossível, vale a pena tentar algo com editoras menores e estúdios, afinal, o público quer ver animes e mangás, conhecer mais sobre a sua produção e como tudo isso chega aqui.

Weekly Shonen Jump
Capa de uma edição da Weekly Shonen Jump americana, pela Viz Media.

Fica a dica, Maru Division!

A loja da Comix me deixou extremamente insatisfeito com trocentos preços nas capas dos mangás da edição definitiva de Dragon Ball. Alguns tinham 3 preços diferentes, enquanto TODOS os outros custavam R$ 9,90. A solução deles? Me cobrar pelo preço mais caro. É claro que eu não comprei, já que a Internet está aí para você encontrar opções mais baratas.

SHAME ON YOU, COMIX!

A sala de imprensa foi extremamente improvisada, o Wi-Fi não funcionou e quase nunca chegava um energético que foi a marca do evento ou uma garrafa d’água. Tomadas? Boa sorte para procurá-las. Dessa forma, ficou difícil de trabalhar ali e produzir conteúdo em tempo real.

EU TE ENTENDO, MARU DIVISION!

Como profissional de marketing, é impossível não analisar as coisas com um olhar mais técnico. E isso é bom para todas as partes, porque eu já esperava parte do que aconteceu de bom e de ruim. É… Menos a sala de imprensa em condições inacreditáveis e a Comix brincar com meus sentimentos). É uma questão bem simples: o AF está com o nome um pouco sujo ainda, e o ideal é torná-lo maior, mas de forma contida. Agora, ao sentir a recepção dos fãs, é possível decidir os rumos para as próximas edições.

E que tenha dado tudo certo, porque eu quero ir no AF 2019, e quero ver uma versão maior, mais completa e mais divertida do evento!

E você, foi no AF 2018? O que achou? Me conte, porque eu estou ansioso para saber!