Se você, assim como eu, acompanhou os anos onde o Anime Friends se tornou uma verdadeira febre entre os adolescentes, deve se lembrar da dureza que era chover EXATAMENTE no dia do evento. Os banheiros químicos (ou a escassez deles!), os muitos cosplayers, filas pra lá e pra cá, falta de opções para comer e ingressos baratos. Os tempos mudaram, com eles, o Anime Friends também. A marca cresceu e apareceu, ganhou banheiros de verdade, praça de alimentação, teto coberto – mas valeu a pena?
O preço elevado da edição de 2017 trouxe um grande receio para os frequentadores do evento a respeito da qualidade do material que seria trazido e da infraestrutura do local. Sobre essa última parte, é possível dizer que a Yamato se superou: uma bela food court com diversas opções (ainda que com preços extremamente salgados), um local completamente coberto e grande, banheiros dignos e uma distância razoável da estação Santo Amaro da CPTM. Porém, tudo isso não teve o impacto desejado nos frequentadores. Ao menos, não totalmente.

Pudemos testar o novo jogo de luta da franquia Dragon Ball. Dragon Ball FighterZ é, sem dúvida, o jogo mais bonito baseado no mangá/anime. (Foto: Emerson Santos / Fotoarena)

Podemos destacar, com prazer, como foi ótimo conversar com boa parte dos expositores e funcionários dos estandes. A maioria, composta por pessoas extremamente atenciosas e simpáticas, amenizou a sensação de vazio, causada não só pela ausência de atrações, mas também de pessoas, algo que ficou evidente no primeiro dia do evento.

Outro ponto forte foram as bandas. Se tem uma coisa que nenhum evento do tipo consegue fazer, é montar palcos com atrações musicais durante o evento. O palco Fantasy, onde rolaram as principais atrações desta edição, era grande, mas não tão grande quanto os palcos montados para os shows internacionais nas versões externas do evento. Algo que não necessariamente um problema, mas uma mudança a pontuar.
As mesas de RPG e jogos de tabuleiro proporcionaram momentos divertidos e amizades novas, ao juntar amigos e desconhecidos em aventuras épicas e trazer conteúdo diferente para algo que, visivelmente, foi mais do mesmo.
Boa parte dos estandes foi composta por lojas e marcas famosas, o que seria um ponto fortíssimo, caso sobrasse espaço para artistas exibirem seus trabalhos em áreas paralelas e se recebêssemos artistas de peso. Foi possível notar uma redução considerável na quantidade de cosplayers. Boa parte dos frequentadores estavam lá por atrações específicas, e não pelo evento em si – algo que, na minha humilde opinião, pode representar certo risco para o futuro da Yamato no Brasil, ao menos com o Anime Friends. E não me entenda mal: Asian Kung-Fu Generation, Do As Infinity, T.M. Revolution e Guilherme Briggs foram grandes atrações, mas tirando isso, o que sobra?
A Expositora Nicole durante o primeiro dia do Anime Friends 2017, que acontece de 07 à 09 de Julho no Transamérica Expo Center, Zona Sul da Capital. O evento ocorre anualmente no mês de Julho, e é o maior da América Latina relacionado a quadrinhos, RPG, games e cultura japonesa. (Foto: Emerson Santos / Fotoarena)

Além dos estandes da Panini, Piticas, Editora New Pop, lojas especializadas em figures e estátuas, além de meia dúzia de outras marcas, dava para contar nos dedos o que era realmente novo. Os artistas brasileiros, quadrinistas e afins tiveram sim, seu espaço. Mas nada surpreendente ou que realmente chamasse a atenção do público, apenas uma mesa longa com 5 ou 6 pessoas.
O Artista Paulista Julius Ckvalheiyro durante o primeiro dia do Anime Friends 2017, que acontece de 07 à 09 de Julho no Transamérica Expo Center, Zona Sul da Capital. O evento ocorre anualmente no mês de Julho, e é o maior da América Latina relacionado a quadrinhos, RPG, games e cultura japonesa. (Foto: Emerson Santos / Fotoarena)

E é aí que fica o questionamento: vale a pena pagar R$ 80,00 por atrações que já vimos em edições anteriores e não receber nenhum (e quando eu digo nenhum, quero dizer nenhum mesmo) bônus ou surpresa para os fãs e frequentadores? Para complementar, vamos fazer uma comparação inevitável: a CCXP, realizada anualmente pelo Grupo Omelete, é um evento similar. Une cultura geek e pop com atrações internacionais, autores de quadrinhos consagrados, estúdios de cinema, estandes de grandes marcas, além de uma seção SÓ para artistas realizarem mostras de seus trabalhos e venderem seus peixes. Sim, eu sei que estamos falando de dois eventos que, apesar de terem o público geek como alvo, exploram nichos diferentes. Porém, o Anime Friends falha em trazer ícones do oriente como mangakás consagrados, editoras japonesas e estandes de estúdios de animação, enquanto a CCXP, desde sua primeira edição, trouxe estrelas e verdadeiros ícones do entretenimento ocidental.
Com isso, consigo dizer que, como fã, senti que as atrações foram quase todas dispensáveis. Como fomos credenciados como imprensa, tivemos acesso a algumas partes interessantes e pudemos registrar momentos que os fãs normalmente não poderiam (cheque nosso Instagram e nossa página no Facebook para ver), o que tornou tudo mais agradável. Ainda assim, não pudemos registrar certas partes do evento. No fim, para um adulto, o Anime Friends consegue valer a pena pelas pessoas e cosplay – algo que, por si só, já é bem caro de fazer no cenário econômico que vivemos. Mas é isso. É só.
Esquadrão Suicida – ou trio – com direito a double Harley! (Foto: Toni Ferreira)

Confira um vídeo com o vencedor do Yamato Cosplay Cup!

Se a Yamato quiser manter seu público, reconquistar os fãs antigos e mais saudosistas e conquistar novos seguidores, será preciso arriscar. Os preços não precisam representar um problema, caso as atrações realmente façam valer a pena. Trata-se única e exclusivamente de entregar valor para o cliente – a chave para que o custo cause a sensação de que “valeu a pena”. É preciso lembrar, também, que boa parte dos frequentadores é composta por estudantes e adolescentes, que podem pagar meia-entrada. A meia com alimentos também se torna uma saída aceitável, mas uma empresa não pode contar apenas com isso. É preciso voar mais alto e alcançar novos patamares.
Nosso fotógrafo e amigo Toni Ferreira. (Foto: Gustavo Mathias)

Agradecimentos especiais a Mariana Vieira e Dani da Yamato e aos dois vendedores de lanches que salvaram nossos bolsos e estômagos – após termos gastado mais de 50 reais com duas fatias de pizza no evento (bem gostosas, por sinal).