Águas Rasas | Crítica

Se imagine em um dia relaxante em uma praia paradisíaca, tudo está ocorrendo bem e como planejado, até que um tubarão branco tem todas as chances para fazer com que aqueles sejam seus últimos momentos de vida, a não ser que você lute ao máximo para conseguir reverter essa história. Essa é a trama de Águas Rasas (The Shallows), o mais novo filme de Jaume Collet-Serra conhecido por filmes de ação e suspense como ‘Sem Escalas’ e ‘A Orfã’.
O filme nos apresenta Nancy (Blake Lively), uma jovem, que após perder a mãe graças a um câncer, decide largar a faculdade de medicina e partir para uma viagem ao México para conhecer a praia que sua mãe frequentou enquanto estava grávida. Sendo também uma surfista, a jovem não espera pelo repentino ataque de um tubarão branco, que após machucá-la, a deixa encurralada em um pequeno recife de corais há alguns metros longe da praia. Cabe agora a Nancy dar tudo de si para sair com vida dessa situação.
Com uma trama simples e cativante, o filme se assemelha aos bem elogiados ‘127 Horas’ e ‘Náufrago’, pelo fato de focar em apenas um personagem durante todo o desenrolar do longa. Em ocasiões como essa temos a chance de ver a capacidade de interpretação do ator/atriz mais de perto, e Blake Lively consegue ganhar o público ao passar com maestria todas as emoções presentes no drama e tensão em que a personagem se encontra, de forma que faz com que o espectador torça a todo momento pela mesma. Em cenas impactantes e dramáticas, a atriz cumpre seu papel com grande êxito, sendo também interessante acompanhar todos os planos e estratégias que a personagem trama para conseguir sobreviver à uma situação tão delicada.
Se enquadrando no gênero de suspense e drama, Águas Rasas nos entrega um material muito satisfatório, atendendo a expectativa do público. Tendo aproximadamente uma hora e meia de duração, o filme é rápido e deixa um gosto de “quero mais”. Porém sua extensão é compreensível devido a situação na qual se encontra a personagem, consequência de uma trama simples.
Em um filme onde a maior ameaça é um tubarão, não dá para não se lembrar do clássico ‘Tubarão’ (1975) de Steven Spielberg, e aqui encontramos um novo fôlego ao gênero, graças a ótima direção de Jaume Collet-Serra que consegue trazer o público para dentro do filme graças as filmagens próximas aos acontecimentos, como também da personagem. Em dados momentos podemos ver a superfície, como também o fundo do mar, nos entregando assim o suspense que se encontra em cenas que podem remeter também ao ponto de vista do predador para com a personagem.
Além da ótima atuação e direção inteligente, um filme não garante o mesmo impacto se não tiver uma boa trilha sonora que o acompanhe, e aqui a trilha composta por Marco Beltrami casa com as situações do longa, auxiliando ainda mais o suspense esperado pelo público.
Ao ser simples, Águas Rasas não é extraordinário, nem o melhor filme do gênero, porém não deixa de ser ótimo e cativar aquele que o assiste. Talvez sua curta duração seja um dos seus possíveis pontos negativos, porém para uma produção com orçamento de US$ 17 milhões, custo modesto para Hollywood, o filme surpreende e muito pela ótima qualidade em montagem, desenvolvimento e efeitos.
Cativar e garantir tensão são os fatores que fazem de Águas Rasas um ótimo filme para os apreciadores do gênero.
 

ÁGUAS RASAS (THE SHALLOWS)

[nota]4/5[/nota]