A Primeira Noite de Crime | Crítica

Um começo interessante, mas não muito animador.

Quando o primeiro Uma Noite de Crime foi lançado a meia década atrás, talvez nem era esperado todo o sucesso que fez. Eis que, após uma trilogia divisora de opiniões e sem ter para onde avançar, a franquia chega ao seu quarto longa, contando o começo de tudo.

Enquanto o primeiro longa se focou em ambiente fechado, com a história passando dentro de uma casa, o segundo expandiu os horizontes e colocou novos personagens nas ruas. O terceiro enfim explorou mais o lado político desse universo, desenvolvendo também o lado da rebelião.

O diretor e roteirista da franquia, James DeMonaco, retorna para o quarto filme com sua insana premissa onde o governo dos Estados Unidos permite que, por 12 horas seguidas, o crime seja liberado. É o chamado “Expurgo”. Entretanto, dessa vez ele é apenas roteirista, deixando o cargo de diretor para Gerard McMurray (Código de Silêncio).

Novos personagens

O astro Frank Grillo não retorna para o novo longa. Ele já havia demonstrado desinteresse e dito que não retornaria. Por se passar no começo de tudo, sua ausência é justificável, já que ele apareceu apenas no segundo e no terceiro filme. E, assim como os filmes anteriores, novos personagens dão as caras.

Na trama, uma pesquisa é posta em prática quando o governo americano passa a ser controlado pelos Novos Pais Fundadores, que prometem uma reforma no país. A cidade de Staten Island é escolhida para o experimento. O local é composto pela da população de baixa renda e possui altos índices de crime. O governo oferece cinco mil dólares para quem permanecer no local e mais recompensas para quem participar do ato.

A Dra. May Updale (Marisa Tomei) é a responsável pelo projeto, financiado pelos Pais Fundadores. Dentre o grande elenco, temos a protagonista Nya (Lex Scott Davis), uma garota que luta contra o Expurgo. Ela possui um passado com Dmitri (Y’lan Noel), traficante poderoso da região. Enquanto ela busca refúgio na igreja, seu irmão Isaiah (Joivan Wade), decide participar do Expurgo buscando vingança contra o assassino Esqueleto (Rotimi Paul).

Apesar do filme não assumir, a trama também pode ser interpretada envolvendo questões raciais, já que o elenco é praticamente composto de atores negros, justamente os moradores de Staten. Os brancos entretanto são mostrados no poder. O tema do filme é provavelmente o mais interessante da franquia. Infelizmente nem tudo são flores.

Problemas

É realmente interessante acompanhar como o povo reage ao fato de poder matar e furtar sem consequências (e ainda ser recompensado caso sobreviva). Entretanto, a experiência, ainda em estágio inicial, não é muito animadora. O filme se utiliza de surpresas bastante anti-clímax, mas ao mesmo tempo totalmente válidas e aceitáveis. Meio controverso, mas é isso mesmo. Demora para o Expurgo ganhar vida e mesmo assim tudo o que não envolve os principais é apresentado de forma rasa até demais.

Querendo ou não, a franquia chama a atenção não apenas por sua premissa, mas por suas cenas de ação. Pessoas fantasiadas saindo por aí matando loucamente. Quando isso não é satisfatório, o longa se torna cansativo. A trama principal carrega uma ótima história, mas sua ação, que chega a ser boa e está presente em determinados pontos, não são o suficiente. E isso pesa num filme do gênero.

Não é querer alimentar um gosto sádico, mas o filme exibe diversas situações do Expurgo como se fossem vagas compilações do que está acontecendo. Vemos o que está ocorrendo ao redor da cidade, mas bem de relance. Não que os anteriores não façam isso, mas aqui deixa a desejar. A sensação é de que poderia ser melhor, até mesmo quando se trata dos momentos dos protagonistas.

O trunfo do longa é justamente a história e seu contexto, trazendo novidades e se destacando assim como cada filme fez. Nunca é mais do mesmo. Cada capítulo explora um tema diferente. O visual, a trilha sonora, tudo está bom, até mesmo o roteiro, mas faltou algo. O clímax por exemplo é incômodo demais para aqueles com sensibilidade a luz.

Embora possa ser o filme mais fraco da franquia, A Primeira Noite de Crime apresenta conteúdos que só acrescentam na mitologia. Ainda há potencial a ser explorado. Inclusive questões ficam em aberto sobre como tudo aquilo evoluirá para o que foi visto no primeiro longa. Óbvio que há suspeitas, mas falta desenvolvimento. Caso a franquia não continue no cinema, alegrem-se os fãs pois uma série de TV está em andamento.