Um dos personagens mais icônicos do universo DC: Superman, Super Homem, Homem de aço, enfim, seja lá como o chamem, ele é O Cara! Mas nem todos pensam assim, muitos o acham chato pra caramba, muito politicamente correto, ou pelo menos era, e insuportavelmente honesto. Entretanto. De onde vem tanto senso de “boagentisse”?

Vamos à sua origem. Todo mundo, ou quase todo mundo, sabe que o azulão foi criado por dois amigos de infância, Joe Shuster e Jerry Siegel.

Sua primeira aparição foi em 1938, na Action Comics #1 e não parou mais.

Muita coisa mudou, desde poderes até inimigos. Mas o que nem todos sabem é que sua criação pode ter sido idealizada com base em outro personagem com uma imagem igualmente poderosa e, talvez, muito mais famoso. Se você pensou em algum super-herói do universo Marvel / DC, errou, estou falando de Jesus Cristo, do cristianismo.

Pois é! Por quê? Bom, eles não explicaram, mas se pensarmos que eles tentaram criar um herói com características humanas e que supervalorizasse as virtudes e qualidades, quem melhor para usar como modelo? Ambos eram de família judia que, tradicionalmente, mesmo não tendo Jesus como o Messias, sabiam que uma aproximação com tal referencial faria com que o público simpatizasse com o camarada.

A BUSCA PELO HERÓI

O ser humano precisa de referenciais de heroísmo, nossos corações clamam por isso! Basta observar nosso desespero em tentar achar um piloto brasileiro que se iguale a Ayrton Senna. Ainda nos esportes sempre tivemos bons referenciais: Pelé, Romário, Ronaldo, Guga, etc. Mas quando não temos, nos sentimos órfãos.

Joseph Campbell fala disso em seu livro “O poder do Mito”. Precisamos desse referencial de alguém que possa, mesmo que hipoteticamente, nos salvar dos males do mundo. Funciona como válvula de escape.

* Se você não sabe quem é Joseph Campbell, ele foi simplesmente quem orientou George Lucas na construção do mito Star Wars. Manja pouco, o cara?!

Voltando para nossa análise.

Mas será que essa comparação procede, ou é só mais uma dessas especulações sensacionalistas para vender revistas? Ou até uma tentativa grosseira de se tentar achar uma relação entre personalidades distintas?

Vejamos.

ANALISANDO A TEORIA

1Observemos os nomes de seu pai kriptoniano Jor-El  e dele Kal-El. Segundo a tradição hebraica, o sufixo “El” refere-se a Deus, assim, Kal-El, segundo referências judaicas, significa “voz de Deus”.

Pensemos: Jor-El (Deus Pai), envia seu filho Kal-El (Voz de Deus, filho de Deus – ou Deus Filho) para ajudar a humanidade – tudo bem, eu me lembro que o pai ET do Clark não era Deus e sim um cientista, também me lembro que seu planeta seria destruído, mas libera a imaginação aí e vamos seguir meu raciocínio – Ele Foi colocado em um cesto (lembra de Moisés?) e mandado para um lugar desconhecido. Chegando na terra é encontrado por um casal sem filhos: Jonathan e Martha Kent.

Vamos parar um pouco e analisar esses fatos. Mantendo a linha de raciocínio que estamos seguindo – Os pais de Kal-El na Terra são: Jonathan e Martha.

Jonathan – Jo = José

Martha – Ma = Maria

Seu maior inimigo = Lex Luthor (“L” Possível referência a Lúcifer) Alguém sem escrúpulos que só busca o poder e dominação. Forçado? Pode ser.

Ok, tudo bem. Você está achando muito exagerado. Lembre-se, não estou tentando provar nada, estou apenas mostrando os fatos.

No filme Homem de Aço (Man of Steel) vemos o General Zod tentando persuadir o Superman a juntar-se a ele. Zod diz que se ele (Kal-El) ajoelhar-se diante dele, ambos conquistariam a Terra.

Só para conceituarmos, vamos olhar as escrituras:

“Novamente o transportou, o diabo, a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.” (Mateus 4:8-9). Antes que alguém se levante para me dar pedrada, Vale ressaltar que Superman mata o General Zod no final do filme, fato que Jesus nunca faria.

No mesmo filme, momentos antes, vemos Clark Kent conversando com um padre. Ele está discutindo a necessidade de se entregar para salvar a humanidade. Há um vitral ao fundo onde podemos ver Jesus orando no Getsemani, momentos antes de ser entregue aos seus inimigos.

Superman_Confessionário
Man of Steel (Zack Snyder, 2013) © Warner Bros.

Jesus Cristo, antes de começar seu ministério de cura e ensinamentos se retira para o deserto. No filme, Clark Kent, sai em uma jornada para se encontrar e vai parar no que se tornaria a Fortaleza da Solidão.

Ele tem um senso de honestidade de forma absurda. Isso pode ser reflexo de sua criação, fato esse que irá cristalizar o caráter do pequeno Clark Kent.

No livro: “The World’s 2Greatest Superhero”, de Stephen Skelton, o autor traz inúmeras referências e comparações entre Superman e Jesus Cristo.

Diante de tudo isso, podemos ver que a teoria de que Superman teve sua imagem relacionada com a de Jesus pode não ser tão absurda. Sem dúvida que não podemos substituir um pelo outro, pois o que se usou foi o modelo, algo para que o público pudesse, mesmo que instintivamente, comparar. É bom lembrar que não existe nenhuma comprovação desses fatos. Os próprios criadores nunca afirmaram tal origem, entretanto, ela é bem plausível.

Não é comum vermos personagens se relacionando diretamente com religiões. Talvez por receio dos autores que preferem manter uma distância segura de seus personagens com a religião, seja ela qual for. Mas não é de todo estranho ver um ou outro entrando em uma igreja. Temos exemplos de Peter Parker/Homem-Aranha e Matthew Murdock/Demolidor, na Casa das Ideias. Neo, de Matrix, também teve uma inspiração fortíssima na filosofia cristã.

Pelo Amanhã
Superman: Pelo Amanhã © DC Comics

Enfim. Muita gente fala que não se deve discutir futebol, religião e política. Concordo em partes; futebol não convém discutir, pois a chance de acabar em “zica” é enorme, já religião e política, guardadas as devidas proporções de bom senso e tolerância, não vejo problema. Nós mesmos acabamos de fazer isso, e nem por isso saímos no tapa. Minha intenção não é provar, mas sim provocar a discussão.

Muito bem. Deixe seus comentários, concorde ou discorde.