Carros 3 | Crítica

Foi em 2006, quando John Lesseter, o CEO da Pixar Animation Studios, trouxe para as telonas um filme de carros falantes e corridas empolgantes, fazendo com que o público caísse nas graças de Relâmpago McQueen e sua turma, e com que Carros se tornasse um dos filmes mais queridos já feitos pela Pixar. Em 2011, John Lasseter retorna com Carros 2, porém, não obteve o mesmo êxito, já que o público se viu assistindo um filme totalmente diferente da ideia original. Carros 2 pode ser classificado com o filme mais fraco da Disney Pixar até então.

11 anos depois do filme original, Carros 3 chega aos cinemas, dessa vez com a direção de Bryan Fee e roteiro de Robert L. Baird, Daniel Gerson, Kiel Murray, Bob Peterson e Mike Rich. E o retorno faz jus ao filme original.

Quem assistiu ao primeiro filme da saga em 2006 deve se recordar de McQueen recitando sua famosa frase de motivação “eu sou a velocidade” antes de começar a correr. É com esse toque nostálgico que somos introduzidos à terceira sequência de Carros.  Aqui, notamos um McQueen (Owen Wilson) mais habituado e habilidoso com as pistas. É visível também um nível de competição muito saudável entre os corredores, onde a amizade é presente a cada ultrapassagem ou pegadinhas feitas durante as entrevistas. McQueen agora exibe uma personalidade madura e humilde, algo totalmente diferente do que é visto no primeiro filme da aventura.

Mas quem diria que um dia o querido relâmpago McQueen, o grande vencedor da Copa Pistão e veterano, um dia sentiria o peso do tempo. Quando tudo parecia, perfeito somos apresentados a Jackson Storm (Armie Hammer), um novo corredor pertencente à nova geração high-tech, que ultrapassa os corredores sem o menor esforço, deixando McQueen para trás. Após o seu esforço final, nos deparamos com a batida que vimos nos trailers. É nesse momento que McQueen percebe que seu tempo como corredor pode estar com seus dias contados e busca, como último recurso, treinar da mesma forma que a nova geração de corredores faz.  Somos então introduzidos a Cruz Ramirez (Cristela Alonzo), a nova treinadora de McQueen, que desempenha um papel fundamental para a trama.

Um dos recursos utilizados pela direção e roteiristas deste título foi resgatar e buscar inspiração no primeiro filme, não se afastando tanto da temática que é a corrida, coisa que não se viu muito em Carros 2. O drama da animação é colocar o nosso protagonista em uma situação sem saída, quando este parte em busca de uma maneira de resgatar as origens das corridas sem essas novas tecnologias. Doc Hudson é relembrado em flashbacks muito importantes, completamente diferente da esquecível menção em Carros 2, onde o personagem foi apenas citado. O dublador de Doc, Paul Newman, faleceu em 2008.

O visual do filme faz saltar os olhos. Em alguns momentos o CGI é tão bom que dá para acreditar que é uma corrida em live action. E por falar em corridas, as cenas nas pistas impressionam, deixando a audiência presa e tensa com o que pode acontecer a cada curva. Radiator Springs também está lá, com seu toque nostálgico, mas com um visual mais realista.

Já os novos personagens são pouco explorados, tendo pouco tempo de tela. Cruz é a exceção. A personagem é bem desenvolvida e cria um laço importante com McQueen. Personagens antigos como Sally (Bonnie Hunt), Mate (Larry the Cable Guy) e outros, também aparecem pouco, logo, não espere muitas trapalhadas do velho Mate, que teve um papel importante nos filmes anteriores. Dessa vez ele deu o ar da graça, mas não teve mais que três ou quatro cenas sozinho.

Carros 3 optou por não inovar muito, mas também não exagerou demais. Teve o cuidado de dosar os dramas dos personagens com a comédia muito bem equilibrada. Em alguns momentos notamos uma quebra de ritmo no filme, onde momentos calmos e subtramas se tornam calmos demais, o que perturba um pouco, pois a preocupação maior é se McQueen irá vencer Jackson Storm. Mas subentende-se que é um “mal necessário”, já que o que vemos em tela é a luta de uma lenda das pistas contra a sua aposentadoria precoce e forçada.

Carros 3 não repete as falhas da segunda animação, chegando a ser um filme superior. Porém, não consegue ser superior ao primeiro filme. A Pixar tem um histórico complicado com sequências, exceto por Toy Story, que ganhou um terceiro filme magistral. Carros 3 também não é um filme típico do estúdio, que costuma equilibrar lágrimas e risadas. Mas com uma carga dramática bem dosada, o filme fisga o coração daquelas que o acompanham desde a estreia de Relâmpago McQueen nos cinemas.

Carros 3 pode não ser o melhor filme da franquia, mas é uma excelente aventura para a criançada, já para os fãs, certamente é uma despedida digna para os carros mais amados do cinema.

Carros 3
Compartilhar
Fotógrafo e Filmmaker, doido por cinema e música, amante de tecnologia e nordestino de nascença! Fiel leitor de Tolkien e fã de séries, mas sem muito tempo para acompanhá-las. =( Instagram: @toniferreiraphotos