Resident Evil: Vingança | Crítica

A franquia Resident Evil sempre teve dois públicos principais: Os dos jogos e os dos filmes. Muitos gamers odeiam os longas cinematográficos pelo fato de se distanciarem dos jogos, embora os filmes tenham diversos elementos dos jogos inseridos neles. Apresentando uma protagonista inédita (Alice), os live-action de qualidades variáveis eram focados na ação, com exceção, talvez, do primeiro, que é o mais bem aceito e considerado mais “suspense” quando comparado com os posteriores.

Sendo mais conhecido pelos fãs dos jogos, a atual leva de animações está sendo melhor recebida. Iniciada em 2008 com Degeneração, lançado um ano após a primeira trilogia com atores ter sido temporariamente encerrada, o primeiro longa animado da franquia respeitava a base dos jogos, inclusive se passando no mesmo universo deles, mais especificamente entre os jogos RE 4 e 5, e trazia Leon como protagonista. A continuação, Condenação, veio apenas anos depois, em 2012, se passando entre RE 5 e 6. E agora, em 2017, chega Vingança, sendo o primeiro a ser lançado no cinema e em 3D.

A trama se situa entre os jogos RE 6 e 7 e pela primeira vez, nas animações, se passa numa cidade real: Nova Iorque. Diferente dos longas anteriores, o protagonista da vez é o agente Chris Redfield, que está atrás do comerciante de armas biológicas Arias. O antagonista busca vingança pelo governo americano ter literalmente jogado uma bomba em cima do local onde ele estava durante seu próprio casamento, matando todos os presentes (menos ele, claro).

Tão importante quanto Chris, quem recebe grande destaque é a cientista Rebecca Chambers (para os gamers de plantão, ela é do primeiro jogo da franquia, assim como o Chris). Trabalhando no ramo de biotecnologia, Rebecca cria uma cura para o vírus que está se espalhando e trazendo os mortos de volta a vida. Ela logo é atacada, revelando que Arias sabe mais do que pensavam. E, para fechar o trio, temos Leon S. Kennedy, que tem menos tempo de tela do que nos filmes anteriores, mas está lá. Ele está de férias sofrendo pela perda de sua equipe, quando o envolvem na história.

Visualmente a animação está ótima, superando (e muito) seus antecessores. Quanto ao roteiro, há observações. Assim como as animações japonesas baseadas em jogos costumam ser, Vingança não explica tudo o que deveria. O universo já existe e apenas quem já está familiarizado com ele irá entender tudo. Para quem jogou os jogos, ótimo. Para quem não jogou, mas conhece o universo, ainda dá, basta aceitar o que vier. Para quem nunca jogou e caiu de paraquedas no filme, apenas aceite o que vier também.

As cenas de ação são o grande trunfo da animação, com direito a tiros e mais tiros. E tudo sem perder o lado do horror, com destaque para a cena noturna inicial dos agentes invadindo a mansão. Existe um equilíbrio e é possível notar uma mudança de ritmo com o passar do tempo. Assim como nos jogos, o filme começa se focando mais no horror para depois se focar mais na ação.

Voltando para a ação, algumas poucas cenas exageradas acabam deixando a desejar. Apesar de todo o lado fictício que existe em Resident Evil, incluindo seus lados mais viajados, sua pegada costuma ser realista. E justo quando o longa decide se passar num lugar que existe de verdade, algumas cenas podem soar bastante exageradas, como uma cena envolvendo um confronto direto com armas e uma na ponte. Não que estrague a experiência, não diminui a empolgação que o longa entrega, mas detalhes são detalhes e as mudanças perceptíveis. Felizmente, como citei e você, caro leitor, deve ter percebido (espero), são poucas as cenas assim. Em sua maioria, está bem feito e convincente.

Muito se dizia sobre a animação ser um reboot, acreditava-se até que seria uma espécie de remake do primeiro jogo num universo paralelo, mas a Capcom anunciou que é apenas uma sequência mesmo. Tudo bem então. Aceitemos. Entre altos e baixos, o terceiro e talvez melhor capítulo animado dos zumbis é um avanço para a franquia, oferecendo espaço para novos personagens. Resta esperar o rumo que a Capcom irá tomar. Levando em conta que se baseiam nos jogos, um quarto longa só deverá ser lançado quando sair RE 8. Bem que poderiam criar animações para os anteriores (tem o curta de 2000 pós RE 3, mas não conta) ou até mesmo sem ligações com os jogos (como um universo paralelo mesmo). Potencial não falta.