A Múmia | Crítica

A Múmia (The Mummy) não é um título de franquia nova, afinal o primeiro filme foi lançado lá em 1932, porém ao longo dos anos é natural que reboots e remakes sejam produzidos, e é exatamente isso o que aconteceu. No fim dos anos 90 tivemos o reinício da franquia em um filme estrelado por Brandon Fraser, e após três, e bem sucedidos, filmes, chegou a hora de Tom Cruise estrelar um novo longa para a franquia, que também dá o pontapé inicial para o Dark Universe, o inédito universo compartilhado de montros da Universal. Mas será que o filme cumpre seu papel?

A trama do filme não foge daquilo que esperamos, mas ainda assim surpreende. Sofia Boutella dá vida a Princesa Ahmanet, uma egípicia herdeira ao trono, que após descobrir que perderia esse título, toma atitudes que a fazem ser condenada pelos próprios egípicios a ser mumificada, e sepultada, viva e longe do Egito. Dando um salto no tempo, temos os personagens de Tom Cruise (Nick Morton), Annabelle Wallace (Jenny Halsey) e Jake Johnson (Vail), que acabam por encontrar o antigo sarcófago de Ahmanet. Agora, escolhido pela própria múmia, Nick se vê amaldiçoado e precisa encontrar um meio de se libertar de tal maldição, como também destruir Ahmanet, que fará de tudo para concretizar seus atos.

Na trama, além dos atores principais que conduzem o filme e estão muito bem em seus papéis, somos apresentados ao Dr. Jekyll vivido por Russel Crowe. O personagem é muito bem encaixado no enredo, afinal ele é de certa forma uma peça importante para o início e desenvolvimento da trama como também para o Dark Universe. Mas sua presença se torna falha quando a necessidade de firmar um universo imediato toma conta da tela. Para os menos familiarizados com a história de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, O Médico e O Monstro, a presença e desenvolvimento do personagem se torna algo confuso em tela, mas apenas para quem realmente não o conhece. Tal decisão, acaba reforçando a ideia de que firmar um Universo de filmes compartilhados em um só longametragem, se não bem executado, não gera um resultado totalmente agradável para o público geral, que foi assistir a algo específico, mas acaba se deparando com elementos que não alcançam diretamente a todos eles.

Embora o filme sofra com o a vontade de estabelecer um novo universo, o personagem de Crowe não deixa de ser interessante e cativante. Porém, embora seja um ator de peso, o novo longa é estrelado e focado em Tom Cruise, outro grande nome de Hollywood, que sinceramente não decepciona em seus filmes. Especificamente aqui, Cruise cumpre seu papel e consegue entregar as emoções exigidas pelo seu personagem. Sendo geralmente um ator de filmes de ação, o longa nos entrega ótimas cenas do gênero, e nessa parte, já sabemos que Tom Cruise é mais do que experiente.

Embora os atores estejam bem encaixados em seus papéis, o roteiro tem certos deslizes em relação ao tom e a conclusões. Em ‘A Múmia‘, temos momentos onde o alívio cômico proposto, ao invés de fluir com naturalidade, soa forçado devido a uma fórmula que aos poucos parece tomar conta de Hollywood. Tal fórmula, se não for bem inserida, não gera um bom resultado. Porém, embora o filme tenha alguns deslizes quanto ao tom, o filme assume que pertence ao gênero de ação. É claro que elementos de suspense e terror são inseridos ao longo da trama, porém nada tão marcante que o classifique como pertencente a um desses outros dois gêneros. Mas quando inseridos, o filme acaba por cumprir seu papel.

Dirigido por Alex Kurtzman (roteirista de ‘Star Trek’ e ‘O Epetacular Homem-Aranha 2’), o filme conta com boas cenas de ação que empolgam o público e, com a colaboração dos atores, o filme consegue cativar de acordo com os rumos que toma. Em meio a isso, a trilha auxilia ainda mais para ressaltar o clima proposto em tela. Composta por Brian Tyler, a trilha sonora do novo filme é ótima.

No final, A Múmia consegue ser um bom blockbuster que além de divertir e cativar, dá início a um novo universo compartilhado nos cinemas. Embora cometa alguns erros, o filme não decepciona e garante uma boa diversão. Para os mais ligados na sétima arte, ou ao menos na franquia, a presença de easter-eggs e referências serão boas doses de proveito. Em conclusão, resta aguardarmos para sabermos ainda mais sobre o Dark Universe, e o que ele ainda irá nos proporcionar, afinal, a promessa já foi lançada.