Hacker – Todo Crime Tem Um Início | Crítica

Agradecimentos a A2 Filmes pela oportunidade de conferir o longa.

Longe de todo o glamour que o cinema impõe, os hackers, de forma bastante resumida, são ‘apenas’ pessoas que possuem o entendimento e a capacidade de adentrar e modificar sistemas de computação. Diferente do que muitos podem pensar, os hackers não necessariamente são criminosos que querem “destruir” a internet, podendo existir diversos tipos. Não é o caso da trama contada no filme Hacker (Anonymous). Não por completo.

Dirigido por Akan Satayev e inspirado numa história real, ou pelo menos vendido como real (já que pesquisei e não encontrei nada além de uma matéria sobre um jovem artista novato, de mesmo nome que o tal hacker, que faleceu logo após iniciar sua banda, rendendo diversas homenagens), a trama acompanha um grupo de hackers que compram mercadorias com dinheiro roubado e revendem. O filme peca por já começar pela reviravolta principal, mostrando que tudo deu errado para o grupo. Felizmente, deixa a dúvida sobre quem está por trás, o que aconteceu e como aquilo aconteceu. E é justamente nisso que o longa se foca.

O protagonista é Alex Danyliuk (Callan McAuliffe), um jovem que inicialmente ganhava dinheiro burlando sistemas de cliques para poder pagar sua futura faculdade. Ao descobrir que sua mãe perdeu o emprego e não tinha mais como sustentar a casa, ele decide doar toda sua grana e, buscando recuperá-la e continuar ajudando seus pais, parte para o mercado negro através da organização hacker chamada Dark Web. Alex então passa a comprar e vender produtos ilegalmente. É nesse caminho que ele encontra Sye (Daniel Eric Gold), um negociante experiente no ramo que decide ajudá-lo. Juntos, eles se tornam grandes amigos.

Contando a rotina dos personagens, o longa vai e vem entre operações, mostrando como eles agem, como o mercado funciona e suas intenções para o futuro. Tudo bem que de forma um tanto quanto leve, mas isso é cinema. Pelos personagens sempre estarem evoluindo, os casos nunca ficam cansativos e surpresas acontecem no meio do caminho. Uma delas é a inserção da hacker Kira (Lorraine Nicholson), que também é da Dark Web, mas na verdade está trabalhando disfarçada para os agentes federais. É ela que começa a causar dúvidas nos personagens, mudando os rumos de atuação do grupo ao seu favor e aumentando o nível de contrabando.

Casos entre casos, Alex possui duas vontades ao longo da trama: Uma é conhecer Zed (Clifton Collins Jr.), o cara que está por trás da Dark Web. Outra é atacar o banco que despediu sua mãe. Afinal, “nem tudo se faz por dinheiro”, como ele mesmo diz num momento do filme. O longa ainda divide seu tempo para contar o destino dos personagens, seus ideais, suas mudanças, seus objetivos, deixando claro como cada situação pode afetá-los.

Quando o momento “principal” do filme ocorre, o já mostrado no início, bastante coisa já aconteceu e entendemos como tudo chegou àquele ponto. Já próximo de seu fim, como disse anteriormente, o filme ainda consegue se sustentar entregando mais surpresas. Curioso notar, porém, que, apesar de todo o clichê que o filme carrega, nem tudo é entregue ‘mastigado’, cabendo ao público raciocinar e entender o ocorrido, principalmente no encerramento. Não que seja mérito de algo, mas sim um diferencial. Uma pena que alguns detalhes acabaram por passar em aberto, mas nada que atrapalhe muito.

“Hacker” pode não ser aquele tipo de filme frenético, mas por tratar de vendas de mercadorias ilegais e mostrar envolvimentos de criminosos, sempre apresenta suas cenas de adrenalina. Ora, só por ser “história real” o filme deveria ser sobre um cara sentado atrás de uma tela? Não funcionaria tão bem no cinema se ele não agisse. E ação, nesse sentido, é o que não falta aqui.

‘Hacker – Todo Crime Tem Um Início’ chega em DVD pela Flashstar Filmes dia 21 de junho.

Hacker - Todo Crime Tem Um Início
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Jornalista e apreciador da cultura geek, gosta de ver filmes, ler quadrinhos e ouvir música. É fã da cultura asiática e quer ser escritor de ficção para dominar o mundo.